
A nova pesquisa Atlas/Focus, realizada entre 23 e 28 de setembro, mostra uma mudança importante na percepção do governo Elmano de Freitas: pela primeira vez desde março, a aprovação supera a desaprovação. Elmano aparece com 49% de aprovação, contra 47% de desaprovação, saldo positivo de 2 pontos. Na rodada anterior, de 21 de setembro, eram 46% de aprovação e 50% de desaprovação. A virada, portanto, ocorreu em apenas uma semana.

A virada
A série histórica mostra que o movimento não começou agora. Depois de iniciar a série, em dezembro de 2025, com 55% de aprovação e 40% de desaprovação, Elmano passou para o campo negativo em março: 42% a 48%. Em junho, chegou ao pior momento da série, com 42% de aprovação e 53% de desaprovação.
A partir daí, houve recuperação gradual: 46% a 49% em agosto, 46% a 49% em 2 de setembro, 46% a 50% em 21 de setembro, até chegar aos atuais 49% a 47%. O dado político mais relevante é a inversão do sinal: a avaliação positiva, que vinha abaixo da negativa, agora passa numericamente à frente.
Pelo gráfico acima, há o indicativo de que o esforço de clar a imagem de Elmano à de lula pode trazer ganhos significativos paraa reeleição do governador. O voto casado Lula/Elmano é o grande ativo da campanha do petista no Ceará. Lula lidera com folga na intenção de voto e se mantém como o político com melhor e maior aprovação e aceitação no eleitrorado do Ceará (veja aqui os dados da Atlasintel) .

Mas há uma diferença importante
A aprovação não significa que a avaliação do governo tenha se tornado majoritariamente positiva. Quando o eleitor é convidado a classificar o desempenho, 41% dizem que o governo é ótimo/bom e 41% afirmam que é ruim/péssimo. Outros 18% classificam como regular.
Ou seja: Elmano recuperou a aprovação formal, mas a avaliação qualitativa continua rigorosamente dividida. O saldo entre ótimo/bom e ruim/péssimo é zero. É uma diferença importante para a leitura política da pesquisa: o governo melhorou sua relação de aprovação, mas ainda não transformou essa recuperação em uma percepção claramente positiva de desempenho.
No entanto, a tendência dos números mostra que os 18% de avaliação regular podem, em boa parte, aderir à coluna de aprovação até o dia 04 de outubro, a data da eleição.

O mapa socioeconômico da aprovação
É nos cruzamentos que a pesquisa revela onde está essa recuperação — e onde continuam as maiores dificuldades.
Mulheres aprovam mais que homens
A diferença por gênero é expressiva:
- Mulheres: 54% aprovam
- Homens: 42% aprovam
Na avaliação qualitativa, a mesma diferença aparece: 46% das mulheres classificam o governo como ótimo/bom, contra 36% dos homens.
A idade é um dos principais divisores
O governo apresenta sua maior aprovação entre os eleitores mais velhos:
- 60 anos ou mais: 68%
- 45 a 59: 53%
- 35 a 44: 48%
- 25 a 34: 35%
- 16 a 24: 37%
O contraste entre os extremos é de 31 pontos.
Na avaliação ótimo/bom, o desenho se repete: 63% entre os eleitores de 60 anos ou mais, contra apenas 23% entre 16 e 24 anos.
Renda: aprovação cresce nos extremos superiores
A aprovação também muda conforme a renda familiar:
- Até R$ 2 mil: 47%
- R$ 2 mil a R$ 3 mil: 50%
- R$ 3 mil a R$ 5 mil: 44%
- R$ 5 mil a R$ 10 mil: 55%
- Acima de R$ 10 mil: 58%
Na avaliação ótimo/bom, os dois maiores grupos de renda também aparecem acima dos demais: 50% entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 51% acima de R$ 10 mil.
Geografia: Cariri e interior se destacam
O contraste regional também é relevante.
Na aprovação:
- Cariri/Centro-Sul: 59%
- Noroeste Cearense: 56%
- Região Metropolitana: 46%
- Capital: 43%
- Norte e Vale do Jaguaribe: 42%
Na avaliação ótimo/bom, o Cariri/Centro-Sul chega a 50%, enquanto Fortaleza fica em 36%.
Religião: um dos maiores abismos da pesquisa
Aqui está uma das maiores diferenças:
- Católicos: 57% aprovam
- Outras religiões: 51%
- Sem religião: 46%
- Agnósticos/ateus: 47%
- Evangélicos: 25%
Entre evangélicos, apenas 22% classificam o governo como ótimo/bom, enquanto 72% o classificam como ruim/péssimo.
O fator ideológico é ainda mais contundente
O cruzamento político praticamente desenha dois eleitorados distintos.
Na aprovação de Elmano:
- Esquerda lulista: 91%
- Esquerda não lulista: 66%
- Independentes: 37%
- Direita não bolsonarista: 5%
- Direita bolsonarista: 0%
Na avaliação ótimo/bom, o padrão é semelhante: 82% entre a esquerda lulista, contra 0% entre a direita bolsonarista. Isso mostra que a recuperação de Elmano não é homogênea no eleitorado. Ela é particularmente concentrada em grupos que já possuem maior proximidade política com o campo governista, enquanto a rejeição permanece muito elevada entre os segmentos de direita.
O efeito Lula
Há ainda uma associação muito forte com o voto presidencial de 2022. Entre os que afirmam ter votado em Lula no segundo turno de 2022, 76% aprovam o governo Elmano e 67% o classificam como ótimo/bom. Entre os que dizem ter votado em Jair Bolsonaro, a aprovação de Elmano é de apenas 2%, enquanto 91% classificam seu governo como ruim/péssimo.
O dado ajuda a dimensionar o grau de polarização política da avaliação do governo: a percepção sobre Elmano está fortemente relacionada ao posicionamento político e ao voto presidencial anterior.

Por que importa
A pesquisa apresenta, portanto, duas histórias simultâneas:
1. Elmano recuperou a aprovação formal. 49% aprovam contra 47% que desaprovam — uma inversão em relação à rodada anterior.
2. A avaliação do governo ainda não virou. Ótimo/bom e ruim/péssimo permanecem empatados em 41% a 41%.
O ponto central é que a recuperação existe, mas é seletiva: mulheres, eleitores mais velhos, faixas de renda mais altas, Cariri, católicos e, sobretudo, o eleitorado identificado com a esquerda apresentam índices significativamente superiores de aprovação.
A pesquisa Atlasintel ouviu 1.808 eleitores, entre 23 e 28 de setembro, pelo método Atlas RDR, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.








