Pesquisa Focus Poder/Atlas: Lula é a maior força eleitoral do Ceará; Veja tudo

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A pesquisa Focus Poder, realizada pela AtlasIntel, produzida com 1.774 entrevistas entre 6 e 11 de agosto, coloca Lula em uma posição singular no cenário eleitoral cearense. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. 


No primeiro turno
presidencial, Lula aparece com 56,1%, contra 24,5% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos tem 6,3%, Ronaldo Caiado, 5%, Augusto Cury, 4,5%, e Romeu Zema, 1,5%. 

Em votos válidos, a vantagem é ainda maior: 57,2% para Lula contra 24,9% de Flávio Bolsonaro. São 32,3 pontos de diferença entre um e outro. 

Analise: Esse número ajuda a dimensionar o que Lula representa hoje no Ceará. Entre os nomes testados nas três disputas majoritárias — Presidência, Governo e Senado — Lula é o candidato com maior intenção de voto no levantamento. Ciro, líder na corrida pelo Governo, aparece com 49,3%; e os candidatos mais bem posicionados ao Senado estão na faixa de 20% a 24%. Portanto, a força eleitoral de Lula não é apenas nacional: ela se manifesta de maneira particularmente intensa no eleitorado cearense.


Uma força que atravessa a eleição estadual
O dado mais importante, politicamente, é que o voto em Lula não está isolado da eleição presidencial.

A pesquisa mostra que Lula tem 64,4% entre as mulheres e 46,8% entre os homens. Entre eleitores de 60 anos ou mais, chega a 69,3%; entre os de 45 a 59 anos, 65%. Também alcança 64,8% entre eleitores com ensino fundamental e 67,4% na faixa de renda de até R$ 2 mil. 

Mais revelador ainda é o recorte político. Lula chega a 88,9% entre os eleitores que votaram em Elmano de Freitas para governador em 2022. Entre quem votou em Camilo Santana para o Senado naquele ano, alcança 79,7%. E entre quem votou em Lula no segundo turno presidencial de 2022, chega a 84,6%. 

Isso mostra a existência de uma base eleitoral bastante consolidada.

Mas há outro ponto: Lula também não depende exclusivamente do eleitorado petista tradicional. No cruzamento por religião, por exemplo, aparece com 59,2% entre católicos, 25,8% entre evangélicos, 73,9% entre outras religiões, 62,4% entre pessoas sem religião e 81% entre agnósticos ou ateus.

E o segundo turno reforça essa força

Nos confrontos simulados, Lula vence todos os adversários testados.

Contra Flávio Bolsonaro, marca 60,6% contra 31,8%.

Contra Ronaldo Caiado, são 58,2% contra 35,4%.

Contra Romeu Zema, 60,9% contra 29,9%.

E contra Renan Santos, 61,2% contra 27,5%. 

Em votos válidos, as diferenças ficam ainda mais expressivas: 65,6% a 34,4% contra Flávio; 62,2% a 37,8% contra Caiado; 67,1% a 32,9% contra Zema; e 69% a 31% contra Renan Santos. 

E há estabilidade. No confronto Lula x Flávio, a série temporal mostra Lula em 60% em março, 55,8% em junho e 60,6% agora. Ou seja, depois de uma oscilação no meio do ano, Lula retorna ao patamar de 60%. Flávio fica em 31,8%.

 

 

O impacto sobre Ciro e Elmano
É aqui que a eleição presidencial começa a conversar diretamente com a estadual.

Na mesma pesquisa, Ciro Gomes tem 49,3% contra 44,6% de Elmano no primeiro turno. A diferença é de 4,7 pontos, acima da margem de erro de 2 pontos. No segundo turno, Ciro aparece com 53,4% contra 44,8% de Elmano, vantagem de 8,6 pontos. A pesquisa foi realizada no mesmo período e com a mesma margem de erro. 

Isso não significa que Lula determine automaticamente o voto para governador. Mas seria um erro analisar a eleição estadual como se a eleição presidencial estivesse acontecendo em uma pista separada.

No Ceará, os dados mostram uma sobreposição importante entre os eleitorados. O próprio cruzamento da pesquisa evidencia isso: entre os eleitores de Elmano em 2022, Lula chega a 88,9%. 

Ao mesmo tempo, Lula aparece muito forte entre os eleitores de Ciro: no cruzamento do primeiro turno presidencial, Lula alcança 32,2% entre quem votou em Roberto Cláudio em 2022 e 15,6% entre quem declarou ter votado em “outro” candidato a governador. Já entre os que votaram em Elmano, Lula chega aos já citados 88,9%. 

A eleição presidencial como variável da disputa local
É justamente por isso que a força de Lula precisa entrar na leitura estratégica das eleições de governador e senador.

Lula é hoje o maior ativo eleitoral individual medido pela pesquisa no Ceará. Seu desempenho presidencial cria um ambiente político que pode afetar as disputas estaduais — sobretudo porque sua votação é muito superior à dos principais candidatos aos outros cargos.

Na disputa pelo Senado, por exemplo, Luizianne Lins aparece com 24%, Cid Gomes com 23,7%, Capitão Wagner com 21,7% e Alcides Fernandes com 15,9%. 

Ou seja: Lula está em outro patamar de intenção de voto.
Isso abre uma questão central para a campanha: quanto desse capital eleitoral presidencial será convertido em voto para aliados nas eleições estaduais?

A resposta não está dada pela pesquisa. Mas a possibilidade está claramente colocada.

Lula como cabo eleitoral
A força de Lula tende a transformar sua presença na campanha em um fator relevante para os aliados.

Sua imagem, sua aprovação política e, principalmente, a força de seu voto no Ceará deverão ser disputadas pelos candidatos que pretendem se apresentar como aliados do presidente.

Isso pode ter efeitos sobre o Governo e sobre o Senado. Um candidato ao governo associado a Lula certamente vai tentar transformar a identificação presidencial em voto estadual. Candidatos ao Senado também vão  buscar essa associação.

Mas existe uma contrapartida: o capital de Lula não é automaticamente transferível.
O eleitor pode votar em Lula para presidente e escolher outro candidato para governador ou senador. A própria existência de disputas competitivas pelo Governo e pelo Senado mostra isso. Obviamente, a estratégia política de Ciro, que tem por trás o experiente publicitário João Santana, vai buscar essa linha.

Portanto, o verdadeiro teste da campanha será saber até que ponto a preferência por Lula consegue produzir voto casado.

O fator tempo
Há ainda uma cautela fundamental. A pesquisa foi feita entre 6 e 11 de agosto. A campanha eleitoral ainda entrará em sua fase mais intensa, especialmente com o início do horário eleitoral gratuito. É nesse momento que candidatos ganharão exposição cotidiana, apresentarão propostas, confrontarão adversários e colocarão suas estruturas de mobilização nas ruas.

Por isso, o levantamento não deve ser lido como prognóstico definitivo.

É uma fotografia excepcionalmente forte de Lula, mas ainda uma fotografia anterior ao momento de maior exposição das candidaturas.

E essa talvez seja a principal conclusão política da pesquisa:
Lula entra na eleição cearense como a maior força eleitoral individual do campo majoritário.

Com 56,1% no primeiro turno, 57,2% dos votos válidos e mais de 58% em todos os cenários de segundo turno, ele tem um patamar de intenção de voto muito superior ao observado nas disputas estaduais. 

A partir daí, a questão deixa de ser apenas “quanto Lula tem?”.

A questão eleitoral mais importante passa a ser: quanto desses 56% Lula conseguirá levar consigo para as urnas de governador e senador?

É nesse ponto que a eleição presidencial pode deixar de ser apenas uma disputa nacional e passar a funcionar como uma das principais variáveis de decisão da própria eleição majoritária do Ceará.

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