Gestão de Pessoas na Prática Jurídica: uma equação de qualidade, autonomia e diversidade. Por André Menescal

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André Menescal é advogado, sócio-diretor das filiais Maranhão e Ceará do escritório Nelson Wilians. LL.M. em Direito Corporativo pelo Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais e Certificado de Educação Executiva pelo Programa de Negociação da Harvard Law School

Por André Menescal
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A gestão de pessoas na advocacia é um desafio complexo, que exige uma abordagem sensível às especificidades da profissão. Um dos primeiros e principais desafios é o de encontrar o equilíbrio entre manter altos padrões de qualidade e, ao mesmo tempo, incentivar a autonomia intelectual dos advogados.

Isto porque não há dúvida de que manter a qualidade, respeitando prazos e rotinas de segurança, é fundamental para garantir a excelência nos serviços prestados por um escritório de advocacia ou em outras ambientes formados por profissionais do Direito. No entanto, ao mesmo tempo, é essencial permitir que os profissionais tenham liberdade para desenvolver suas ideias e buscar soluções criativas para os desafios que enfrentam.

Uma razão primordial para que a equação “autonomia intelectual x respeito a padrões e fluxos” precise ser a mais saudável possível, é também o fato de o exercício jurídico estar estreitamente ligado à inovação. Incentivar a autonomia intelectual dos advogados, estimulando a criatividade e a busca por soluções inovadoras (“fora da caixa”), é fundamental para impulsionar novas ideias e abordagens para os problemas que se apresentam. Uma gestão que valoriza a autonomia intelectual contribui para que os profissionais jurídicos se tornem verdadeiros agentes de mudança e possam contribuir efetivamente para a evolução da prática de que fazem parte.

A equação para esse equilíbrio ganha uma complexidade ainda maior quando consideramos a diversidade de gerações, idades e mentalidades presentes nas equipes de trabalho. Não é apenas comum, mas também desejável, encontrar nas equipes jurídicas profissionais de diferentes idades e experiências, cada um trazendo suas características e formas de trabalhar. É dever do gestor aprender a saber lidar com essas diferenças, promovendo o diálogo, a colaboração e o respeito entre as diferentes gerações.

Ainda em linha com o desafio intergeracional, cabe aqui um destaque para a valiosa contribuição dada no dia a dia por profissionais que tenham vindo de outras formações, como Psicologia, Engenharia, Contabilidade, apenas para citar alguns exemplos. A abordagem de pessoas com formações anteriores ou complementares ao Direito costuma imprimir especial eficiência ao resultado da prática jurídica, por meio do acréscimo das habilidades típicas dessas outras áreas ao arsenal de soluções da equipe.

Para enfrentar esses desafios, a gestão deve adotar uma abordagem participativa, incentivando o compartilhamento de ideias e valorizando a contribuição individual de cada membro. É importante criar um ambiente de trabalho que estimule a inovação e a busca por soluções criativas, oferecendo incentivos, oportunidades de capacitação e reconhecimento aos profissionais.

Precisamos, ainda, superar em definitivo a concepção de que diversidade seja uma simples obrigação a ser cumprida ou um simples selo a ser adquirido. Mais do que um ato de respeito ao próximo, é inegável quão rica é a soma de diferentes perspectivas para um mesmo problema quando se trabalha ao lado de profissionais de diferentes origens, culturas, credos e orientações sexuais. Como disse David Epstein, “diante de ambientes incertos e problemas iníquos, a amplitude da experiência é inestimável”

É fácil concluir, então, que as características da gestão de pessoas na área jurídica geram um impacto significativo na inovação e na busca por soluções criativas. Uma gestão que prioriza a autonomia intelectual da equipe e incentiva a inovação certamente alcançará melhores resultados e se destacará no seu segmento, público ou privado.

Por fim, é preciso que os gestores saibamos que os componentes da equação seguem mudando a cada dia, e que não há respostas prontas para os desafios modernos, como a influência da Inteligência Artificial na prática jurídica ou a medida ideal de trabalho presencial e remoto. O que temos aprendido, contudo, é que quanto mais madura estiver a gestão na conexão com a equipe, em linha com todos os aspectos já citados (qualidade, rotina, diversidade e inovação), menos turbulento será o processo de encontrar, coletivamente, as soluções para estas novas variáveis.

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