‘Dormir na embaixada e conversar com embaixador é crime?’, questiona Bolsonaro

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Foto: Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta segunda-feira, 25, que não há crime no fato dele ter ficado hospedado na Embaixada da Hungria em Brasília em fevereiro, dias depois dele ter o passaporte confiscado pela Polícia Federal. Ele foi questionado por jornalistas sobre o motivo de ter dormido no local.

“Eu não vou te responder porque tem muita senhora aqui. Não há crime nenhum isso. Por ventura dormir na embaixada, conversar com embaixador, tem algum crime nisso? Tenha santa paciência, chega de perseguir, pessoal. Quer perguntar da baleia? Vamos falar da Marielle Franco. Eu passei seis anos sendo acusado de ter matado a Marielle Franco. Acabou o assunto agora? Vamos falar dos móveis do Alvorada?”, disse ele ao sair do evento no Teatro Municipal de São Paulo que concedeu o título de cidadã paulistana para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Ele também foi questionado sobre a situação do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, que foi preso por obstrução de Justiça por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a revista Veja divulgar áudios em que Cid coloca em xeque a atuação dos policiais ao colher sua delação premiada. “Mauro Cid é primeira instância. Não tem o que falar. No meu entender e dos meus advogados, é primeira instância”, respondeu Bolsonaro.

O jornal The New York Times publicou que Bolsonaro ficou na embaixada entre os dias 12 e 14 de fevereiro depois de ter o passaporte apreendido pela Polícia Federal no dia 8 do mesmo mês no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Segundo o jornal, a hospedagem aponta para uma tentativa do ex-presidente conseguir asilo político. Se Justiça expedisse um mandado de prisão preventiva contra o ex-presidente, com ele hospedado em uma embaixada, a decisão judicial não poderia ser cumprida sem o aval do país representado, porque as áreas são consideradas territórios invioláveis.

A Polícia Federal vai investigar se Bolsonaro pediu asilo político ou tentou articular alguma manobra diplomática para evitar ser preso no inquérito que apura uma tentativa de golpe. A casa dele no bairro Jardim Botânico, em Brasília, fica a 12 quilômetros da embaixada húngara. A distância pode ser percorrida de carro em 16 minutos, segundo estimativa do Google. O ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas para Bolsonaro se explicar sobre o caso.

A defesa de Bolsonaro negou o pedido de asilo e disse que ele foi convidado a se hospedar na embaixada para “manter contatos com autoridades do país amigo”. As conversas teriam sido para atualizar os cenários políticos das duas nações. O ex-presidente tem bom relacionamento com Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria.

“Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news”, disseram os advogados do ex-chefe do Executivo em nota enviada à imprensa.

Mais cedo, Bolsonaro adotou a mesma linha em um evento do PL na zona norte de São Paulo e declarou que frequenta embaixadas para conversar com embaixadores de outros países. “Até hoje mantenho relação com alguns chefes de Estado pelo mundo, algo bastante saudável. Muitas vezes esses chefes de Estado ligam pra mim para que eu possa prestar informações precisas sobre o que acontece no Brasil”, disse.

Ao discursar no evento que homenageou Michelle na noite desta segunda-feira, o ex-presidente disse que nos quatro anos que governou o país aprendeu algo que é “tão ou mais importante que a própria vida”. “E nós não dávamos muito valor a isso. Achávamos que aquilo nunca ia acabar, que é a nossa liberdade”, explicou. “Tem certas coisas que você só dá valor depois que perde. Meu pai dizia: uma é a água do poço, o outro um grande amor e o outro, sendo repetitivo, a nossa liberdade”, finalizou.

Agência Estado

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