
O ex-governador do Ceará, Lúcio Alcântara, afirmou que não sente saudade da política, embora mantenha na memória toda a trajetória que viveu.
“É claro que, ao longo de uma vida pública tão longa como a minha, houve momentos felizes e outros menos felizes. Isso é normal e natural. O principal é que não guardo mágoas nem amargura”, destacou ao Focus Colloquium.
Para Lúcio, “apesar de o tempo ter passado e a emoção se esvaído”, os fatos permanecem registrados na história. “Se algum desses fatos me causou uma emoção muito forte, eles estão pacificados na minha alma. Convivo com eles tranquilamente, mas não me recuso a mencioná-los”, começou em seu discurso.
Para exemplificar, Lúcio citou o ano de 2006, quando disputou a reeleição para o governo do Ceará. Ele considera esse episódio como o mais doloroso e desconfortável de sua trajetória, um fato que lhe causou uma profunda dor emocional.
“Senti-me injustiçado e vítima de deslealdade que não merecia. Vou mencionar o grupo que me apoiou, mas deixarei de citar alguns nomes específicos”, disparou.
Para começar, ele se referiu ao Tasso Jereissati e aos irmãos Ferreira Gomes, Ciro e Cid, no caso. Lúcio acredita que deveria ter recebido um aviso mais cedo sobre a falta de apoio durante a sua tentativa de reeleição, o que teria possibilitado encontrar uma forma de conciliação entre todos.
“Nunca teria qualquer objeção. Minha vida pública foi pautada pelos valores que recebi dos meus pais, sendo a lealdade um dos principais. A lealdade foi fundamental para o meu progresso na vida pública. E Tasso, Ciro e Cid não foram leais”, lamentou. “No final das contas, Cid, Ciro e Tasso promoveram uma ruptura e lançaram Cid Gomes contra mim na disputa pela reeleição”, lembrou.
“Não formei grupos políticos, não arrecadei dinheiro. A maior prova de lealdade foi ter Luiz Pontes, primo e íntimo da esposa de Tasso, como coordenador político. Quem realmente busca fazer política formando grupos ou abandonando antigos aliados colocaria uma pessoa assim na coordenação política? Foram incorretos comigo”, continuou.
Lúcio também ressaltou que, apesar das dificuldades, nunca deixou de reconhecer o valor político do senador Tasso Jereissati: “Se Tasso não tivesse me apoiado em 2002, eu nem teria sido candidato. Mas ele não agiu corretamente”.







