Geólogos concluem que o Brasil tem montanhas; E o Ceará é o estado mais montanhoso do Nordeste

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Imagem da Apa de Baturite: Luciana Martins Freire

Um debate antigo da geografia brasileira chegou ao fim: o país tem montanhas. A conclusão vem após anos de estudos coordenados pelo IBGE e reposiciona o entendimento sobre o relevo nacional, com impacto direto em estados como o Ceará. A discussão e os novos estudos sobre as novas montanhas, que envolveram 70 geólogos, despontaram durante um congresso de geografia física realizado em junho de 2019 em Fortaleza.

Por que importa:
A nova classificação muda a forma como o território brasileiro é interpretado, com efeitos em turismo, meio ambiente e gestão de riscos, como deslizamentos. “Ainda este ano, o IBGE deverá apresentar publicamente o mapa de relevo do país elaborado pelo SBCR, agora com as montanhas, como parte da comemoração de seus 90 anos de fundação (ver Pesquisa FAPESP nº 245). Será uma síntese dos estudos realizados nos últimos anos”.

O que foi decidido
Após seis anos de estudos, geógrafos e geólogos concluíram que o Brasil possui montanhas — definidas como formas de relevo com:

  • pelo menos 300 metros de desnível em relação ao entorno
  • encostas íngremes
  • topos mais agudos

A ideia de que o Brasil tem montanhas, com registros de mais de 50 anos, se perdeu, porque se assumiu que no Brasil, como em outros países, elas se formariam apenas em áreas de orogênese ativa [regiões onde as forças internas da Terra continuam atuando para formar montanhas], como resultado da colisão de placas litosféricas [litosfera é a camada sólida mais superficial da Terra]”, comenta a geógrafa do IBGE Rosangela Botelho. Segundo a revista Pesquisa FAPESP, essas formações estão presentes em 14 estados, incluindo o Ceará.

Ceará no mapa das montanhas
Expedições caracterizam o Ceará como o estado mais montanhoso do Nordeste, por abrigar os maciços de Meruoca, Baturité e Pereiro, além das serras das Matas e do Machado. O estado aparece entre as áreas com relevo classificado como montanhoso dentro da nova metodologia. Portanto, em vez de Serra de Baturité, o novo consenso científico deverá fazer com que a denominação mude para Montanhas de Baturité.

Isso reforça:

  • o potencial turístico de áreas elevadas
  • a diversidade de paisagens além do litoral
  • a necessidade de atenção a riscos geológicos

Saiba onde estão as montanhas do Ceará
As formações mais relevantes se concentram em áreas já conhecidas pelas serras e maciços do estado:

  • Serra de Baturité — principal área montanhosa, com clima mais ameno e forte apelo turístico
  • Serra da Ibiapaba — extensa formação no noroeste, com cidades como Tianguá e Viçosa do Ceará
  • Maciço de Uruburetama — relevo elevado próximo ao litoral oeste
  • Serra de Maranguape — uma das mais conhecidas da Região Metropolitana de Fortaleza
  • Serra das Matas (Monsenhor Tabosa) — destaque no sertão

Essas áreas combinam altitude relativa, encostas íngremes e relevo estruturado — critérios que agora sustentam a classificação como montanhas.

Nem tudo que é alto é montanha
A classificação não depende apenas da altitude.

Segundo a Pesquisa FAPESP:

  • o monte Roraima (2.810 m) não é montanha, por ter topo plano
  • o Pão de Açúcar também fica de fora, por ser isolado
  • espigões urbanos, como o da Avenida Paulista, não entram na categoria

A forma do relevo é decisiva.

Montanhas antigas e desgastadas
As montanhas brasileiras são muito mais antigas que as de outras partes do mundo.

Segundo especialistas:

  • já foram tão altas quanto o Himalaia
  • sofreram erosão ao longo de milhões de anos
  • hoje aparecem mais suavizadas

O que explica sua formação
Diferente dos Andes ou do Himalaia, o Brasil não está em área de formação ativa. Segundo a Pesquisa FAPESP, as montanhas atuais resultam de:

  • processos geológicos antigos
  • elevação da crosta terrestre
  • desgaste contínuo por erosão

O que vem pela frente
O IBGE deve divulgar um novo mapa oficial do relevo brasileiro com a inclusão das montanhas.

A classificação:

  • atualiza conceitos históricos
  • reorganiza o entendimento do território
  • deve ser concluída até 2027

Linha de força
O Brasil sempre teve montanhas — mas faltava reconhecê-las. Agora, com nova base científica, elas entram no mapa oficial — e colocam regiões como o Ceará em evidência geográfica, ambiental e turística.

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