Gleisi, carestia e popularidade; Por Ricardo Alcântara

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Gleisi Hoffman durante ato de posso no Ministério de Luis Inácio Lula da Silva.

Tema político mais comentado na mídia durante a última semana, a inquietação que o fato gerou já é revelador de tudo que direi a seguir sobre a indicação de Gleisi Hoffmann para a pasta de articulação do governo federal com o parlamento.

A inquietação se justifica: a escolha da atual presidente do PT, por suas posições mais à esquerda em assuntos econômicos e o traço mais combativo de seu discurso, contraria a expectativa de que Lula optaria por uma moldura mais moderada no ideário e mais conciliadora no estilo.

Para justificar a escolha, duas versões entraram em circulação.

A primeira, mais óbvia e literal, indicaria que o presidente fez, diante da sua queda súbita de aprovação, uma opção de se fortalecer em seu reduto. Isto é, se daria a reforçar suas defesas no eleitorado mais fiel e estancar a sangria de popularidade e perda de carisma.

A outra, mais oblíqua e maquiavélica, apontaria apenas um esforço de recuperação de autonomia simbólica diante das pressões dos aliados de centro sem, contudo, se materializar, de fato, numa guinada de isolamento à esquerda na segunda metade de seu governo.

Há certo sentido no clichê em circulação que define o desejo de ficar de bem com todo mundo como uma rota para o fracasso. E o risco maior que Lula corre é insistir numa conciliação que contemple a todos e não conquiste a gratidão de ninguém. Bom exemplo disso são as medidas de ajuste fiscal do ministro Haddad: nem o mercado, e muito menos a base de apoio social do governo, se declaram bem atendidos em suas expectativas.

O imperativo de conciliar interesses muito amplos e visões muito diversas do que seria necessário fazer provoca uma percepção geral de paralisia, como se o governo estivesse sempre dois passos atrás da linha de prontidão. Preso aos ditames da governabilidade, Lula 3.0 passa essa sensação de que já não é barro, mas ainda não é tijolo.

A agravar ainda mais esses sentimentos que se mobilizam, o estado de nervo exposto que sempre decorre de um quadro de carestia. O descontrole de preços faz uma luz vermelha piscar na mente do assalariado: o medo de sobrar uma semana no fim do salário do mês e dez dias no mês seguinte.

Tudo isso dá uma boa medida do quanto de habilidade será exigido de quem o presidente escolheu para lidar com o elevado custo que o país paga para viver como sociedade democrática: um congresso nacional desqualificado.

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Ibmec chega a Fortaleza e firma Ceará como polo nacional de educação, inovação e negócios

Pesquisa Atlasintel Piauí 2026: eleição praticamente resolvida a favor do PT

Pesquisa Focus Poder/Atlasintel explica decisão de Ciro e PSDB de manter distância de Flávio

PSD dos “Domingos” leva Comissão de Orçamento do Congresso e reforça musculatura para a vice no Ceará

Focus/Atlasintel: Lula abre larga vantagem no Ceará e reforça ativo eleitoral de Elmano para 2026

Pesquisa Focus/Atlas para o Senado Ceará: Cenários embolados com Cid favorito; sem sua candidatura, Luizianne salta

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel: Ciro e Elmano empatam na corrida ao Governo

UFC entra no Top 15 nacional de patentes e reforça posição como polo de inovação

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

PIX vira vitrine global: fundador do Web Summit diz que sistema brasileiro “destrói monopólios” e inspira o mundo

Em meio à batalha judicial, Eneva e Diamante iniciam investimento de R$ 6 bi em energia e infraestrutura no Pecém

MAIS LIDAS DO DIA

PF faz nova operação sobre fraude de R$ 54 bilhões na Americanas

Mercado imobiliário movimenta R$ 3,9 bilhões e vendas crescem em Fortaleza e RMF

Agro lidera exportações do Brasil para o Reino Unido, que já somam US$ 1,7 bilhão em 2026

Alece realiza sessão solene para entrega da Medalha Virgílio Távora a Cid Gomes e Camilo Santana em 3 de julho

Os Negócios que a IA Está Apagando do Mapa (e Quase Ninguém Percebeu)

STF limita competência da Justiça do Trabalho e anula condenação milionária contra farmacêutica

Justiça afasta Pedrinho da gestão da SAF do Vasco

MG Motor anuncia produção de veículos elétricos no Ceará com investimento de R$ 400 milhões

TST mantém condenação da Ortobom em R$ 300 mil por discriminação contra mulheres em cargos de gerência