
O que aconteceu:
O tradicional Colégio Antares, com nove unidades de referência em Fortaleza, foi vendido ao Grupo Salta, gigante da educação básica no Brasil. Um dos principais acionistas do grupo é o bilionário Jorge Paulo Lemann, por meio da Gera Capital.
Por que importa:
O Antares é um símbolo de excelência educacional no Ceará que começou como curso preparatório para o Colégio Militar. A aquisição marca a entrada definitiva da maior rede de ensino do país no mercado cearense, num movimento de consolidação do setor.
A transição:
• Ênio Silveira e Ênio Filho permanecem na gestão como sócios regionais do Salta.
• A proposta pedagógica e os projetos educacionais serão preservados, segundo os diretores.
• Ambos integrarão o Conselho Regional do grupo e acompanharão a operação local.
Quem é o Salta:
Ex-Eleva Educação, o grupo nasceu em 2013 no Rio como holding da Gera Capital. Iniciou com os colégios Pensi e Elite. Em 2024, expandiu fortemente em São Paulo com a compra do Colégio Ábaco (quatro unidades).
Hoje está presente em 18 estados e no DF.
Frase-chave:
“A essência do Colégio Antares será mantida” — Ênio Silveira, diretor.
Vá mais fundo:
Fundado em 1998, o Antares construiu uma história de prestígio:
• 1º lugar no Enem do Ceará
• 1º no ITA (Brasil) e no IME (Norte, Nordeste e Centro-Oeste)
• Medalhistas em Olimpíadas e ex-alunos nas Olimpíadas internacionais de esporte
• Projetos de impacto social e ambiental reconhecidos nacionalmente
Contexto: A chegada do Grupo Salta ao Ceará simboliza uma nova fase da educação privada no estado, com a entrada de grandes conglomerados no ensino básico regional.
O que observar:
Com a expertise de Lemann e da Gera Capital, o Salta aposta na padronização da excelência. A promessa de continuidade pedagógica será testada conforme avança a integração entre a tradição local do Antares e o modelo corporativo do grupo.
Atualização — bastidores da transição no Antares
Focus Poder apurou que os fundadores e os novos donos do Antares seguem o roteiro tradicional nesse tipo de operação: anunciam que os professores fundadores seguirão à frente da escola.
É praxe no setor. A delicadeza exigida no trato com crianças, adolescentes e famílias impõe uma transição cautelosa — bem diferente da lógica dura dos mercados de consumo.
Por que importa:
Pais investem alto na formação dos filhos e têm uma relação direta com os donos das escolas. Mudanças bruscas geram insegurança.
A transição, porém, tem prazo. Grupos com presença nacional, como o que adquiriu o Antares — e que são influenciados por investidores como Jorge Paulo Lemann — costumam, com o tempo, assumir o controle total.
No radar:
A tendência é que o novo grupo imponha seu modelo de gestão unificado, replicado nas unidades que administra no país.
A análise resulta de conversas do Focus Poder com fontes que conhecem de perto o mercado da educação privada no Brasil.