Brasil tem 37,8% de trabalhadores informais; Saiba o tamanho da formalidade e da informalidade no Ceará

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Vendedor de camarões na Praia do Futuro: informalidade no trabalho.

O Brasil chegou ao 2º trimestre de 2025 com desemprego de 5,8%, 74,2% dos empregados do setor privado com carteira assinada e 37,8% de informalidade. Apesar da melhora nacional, os números escondem grandes diferenças entre regiões: o Sul e parte do Sudeste combinam baixo desemprego e formalização alta, enquanto o Nordeste ainda concentra trabalho precário e taxas de desemprego superiores à média (Valor Econômico).

A formalidade e a informalidade têm imensa influência no jogo político. Quanto maior a informalidade, maior a influência dos grupos de trabalhadores informais nas disputas eleitorais. Essa situação ficou muito clara na ultiuma campanha para prefeito de Fortaleza, quando o tema do uso de motocicletas na ruas, em grande parte, por trabalhadores informais, moldou parte importante da fala dos candidatos. Veja a seguir os números do Ceará em relação ao Brasil e a outros estados.

Nordeste: contraste entre os três maiores mercados
Entre as principais economias nordestinas — Ceará, Pernambuco e Bahia — os dados mostram perfis distintos, mas todos abaixo do padrão nacional.

Indicador (2º tri/2025) Ceará Pernambuco Bahia Brasil
Desemprego 6,6% 10,4% 9,1% 5,8%
Carteira assinada (privado) 58% 59,6% 58% 74,2%
Informalidade 51% 47,5% 52,3% 37,8%

Leitura dos dados

  • Desemprego: o Ceará lidera positivamente entre os três, com taxa de 6,6% — bem abaixo de Pernambuco (10,4%) e Bahia (9,1%), ainda que acima da média nacional.
  • Formalização: aqui os três estados estão muito atrás do Brasil (74,2%). O Ceará (58%) empata com a Bahia e fica um pouco atrás de Pernambuco (59,6%).
  • Informalidade: o Ceará segue em patamar crítico (51%), um pouco melhor que a Bahia (52,3%), mas pior que Pernambuco (47,5%).

O que explica o quadro

  • Educação e logística: o Ceará se destaca em alfabetização e infraestrutura (Porto do Pecém, energias renováveis), o que ajuda a conter o desemprego.
  • Economia menos industrializada: tanto Ceará quanto Bahia e Pernambuco sofrem com baixo peso da indústria e serviços de alta produtividade, dificultando empregos formais.
  • Histórico estrutural: concentração industrial no Sudeste gera efeito de “autorefôrço” — investimentos e empregos de qualidade seguem onde já há infraestrutura, renda e mão de obra qualificada.

Por que importa

  • O Ceará mostra resiliência em gerar vagas frente a Bahia e Pernambuco, mas não rompeu a barreira da informalidade.
  • Políticas públicas de longo prazo, que convertam educação e logística em atração de indústrias e serviços avançados, serão decisivas para reduzir precarização e ampliar arrecadação.
  • Enquanto a Bahia enfrenta maior informalidade e Pernambuco lidera o desemprego, o Ceará pode se posicionar como o estado nordestino mais apto a virar o jogo, se transformar competitividade em empregos de qualidade.

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