Interior ganha espaço na economia cearense, mas RMF segue concentrando mais de 60% do PIB

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Foto: Reprodução

Por que importa: a economia do Ceará continua fortemente concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), mas os números mostram um avanço gradual do interior na participação da riqueza produzida no Estado.

Os números:

Em 2023, a RMF respondeu por 61,44% do PIB estadual, equivalente a R$ 142,68 bilhões.
O interior participou com 38,56%, somando R$ 89,55 bilhões.
Em 2022, a participação da RMF era de 62,91%, enquanto o interior representava 37,09%.

A tendência: o ganho do interior vem se acelerando.

Em 2002, o interior respondia por 35,52% do PIB cearense.
Em 2022, essa fatia subiu para 37,09%.
Em 2023, alcançou 38,56%.

Na prática, o interior ganhou três pontos percentuais de participação em pouco mais de duas décadas.

O destaque regional

A região da Grande Fortaleza continua concentrando cerca de dois terços da atividade econômica estadual, mas outras áreas ampliam sua relevância.

Depois da RMF, aparecem:

Cariri: 8,04% do PIB estadual;
Sertão de Sobral: acima de 4%;
Vale do Jaguaribe: acima de 4%.

Chamou atenção: a Serra da Ibiapaba atingiu 3,1% do PIB estadual em 2023, tornando-se a única região fora dos grandes polos econômicos a ultrapassar a marca de 3%.

O bloco intermediário

Seis regiões apresentam participações bastante próximas, todas na faixa dos 2% do PIB estadual:

Sertão Central;
Litoral Norte;
Litoral Oeste/Vale do Curu;
Centro-Sul;
Sertão dos Crateús;
Litoral Leste.

O Sertão Central lidera esse grupo e vem registrando crescimento gradual desde 2012.

As cidades que puxam a economia

Além de Fortaleza, outros municípios da Região Metropolitana figuram entre os maiores contribuintes para a economia estadual:

  • Maracanaú;
  • Caucaia;
  • São Gonçalo do Amarante;
  • Aquiraz;
  • Eusébio;
  • Horizonte.

Fora da RMF, destacam-se:

  • Juazeiro do Norte;
  • Crato;
  • Sobral;
  • Itapipoca;
  • Iguatu.

Todos possuem participação superior a 1% no PIB do Ceará.

A renda ainda é desigual

Apesar do avanço do interior, a renda por habitante continua mais elevada na Região Metropolitana.

O retrato:

A relação entre o PIB per capita do interior e da RMF chegou a 50% em 2023.
Sete dos dez municípios com maior PIB per capita do Ceará estão localizados na Região Metropolitana.
Novos polos emergem

O estudo aponta mudanças importantes no mapa econômico cearense.

Vale do Jaguaribe e Litoral Leste avançaram no ranking de PIB per capita e ultrapassaram o Sertão de Sobral.

Outro caso emblemático é a Serra da Ibiapaba:

  • 11ª colocada em PIB per capita em 2002;
  • 8ª colocada em 2010;
  • 5ª colocada em 2022 e 2023.

O Litoral Norte também registrou evolução relevante, deixando a última posição em 2002 para alcançar o décimo lugar no ranking estadual em 2023.

O município mais rico por habitante

São Gonçalo do Amarante manteve a liderança estadual em PIB per capita.

Também aparecem entre os dez maiores indicadores do Ceará:

  • Aquiraz;
  • Eusébio;
  • Maracanaú;
  • Pereiro;
  • Quixeré.

Em resumo: a Região Metropolitana continua sendo o principal motor econômico do Ceará, mas os dados do Ipece indicam um processo gradual de interiorização da riqueza, com novas regiões ganhando peso na economia estadual e reduzindo, ainda que lentamente, a concentração histórica em Fortaleza e seu entorno.

Veja o estudo completo 

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