
Por que importa: uma mudança de paradigma está em curso no mundo ocidental. Após a Austrália aprovar uma das legislações mais rígidas do planeta contra o uso de redes sociais por menores, o Reino Unido passou a exigir controles mais severos de idade e proteção infantil nas plataformas digitais. O movimento já repercute no Brasil.
O que está acontecendo:
A Austrália aprovou uma lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais, transferindo para as plataformas a responsabilidade de impedir o ingresso desses usuários.
No Reino Unido, a estratégia é diferente, mas segue a mesma direção. As empresas passaram a enfrentar exigências mais rigorosas para verificar a idade dos usuários e impedir que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos considerados prejudiciais.
O pano de fundo é comum: governos, especialistas e famílias demonstram crescente preocupação com os impactos das redes sociais sobre a saúde mental dos jovens, a exposição a conteúdos violentos ou sexuais, o cyberbullying e a dependência digital.
O Brasil observa
O Brasil ainda está distante de uma proibição semelhante à australiana.
Mas o tema já entrou na pauta do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo federal.
Hoje, plataformas como Instagram, TikTok, X, Facebook e YouTube estabelecem idade mínima de 13 anos para abertura de contas. Na prática, porém, a fiscalização depende quase sempre da informação fornecida pelo próprio usuário.
O resultado é que milhões de crianças brasileiras acessam redes sociais antes da idade oficialmente permitida.
O debate brasileiro
Nos últimos anos, parlamentares apresentaram propostas para:
- exigir mecanismos mais rigorosos de verificação de idade;
- ampliar a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos nocivos;
- reforçar ferramentas de controle parental;
- limitar o funcionamento de algoritmos voltados para menores.
Paralelamente, o STF discute o alcance da responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos publicados por usuários, tema que pode influenciar futuras regulamentações relacionadas à proteção de crianças e adolescentes.
Mudança de clima
Até poucos anos atrás, restringir o acesso de menores às redes sociais era visto como uma medida extrema.
A decisão australiana e o avanço regulatório britânico alteraram esse cenário.
Pela primeira vez, grandes democracias passaram a tratar o uso de redes sociais por adolescentes não apenas como uma questão tecnológica ou educacional, mas como um tema de saúde pública e proteção da infância.
O que observar
O Brasil possui uma das populações mais conectadas do mundo e uma das maiores bases de usuários de redes sociais do planeta.
Se Austrália e Reino Unido apresentarem resultados concretos na redução de problemas relacionados à saúde mental, violência digital, exploração infantil e dependência tecnológica, a pressão para adoção de medidas semelhantes tende a crescer também por aqui.
Em resumo: o debate global deixou de ser sobre a necessidade de regular as plataformas e passou a discutir qual deve ser o limite dessa regulação. Austrália e Reino Unido deram os primeiros passos. O Brasil, por enquanto, acompanha a experiência estrangeira, mas dificilmente ficará fora dessa discussão nos próximos anos.






