Focus Colloquium: Artur Bruno e a Fortaleza que quer escutar antes de agir

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Presidente do Ipplan detalha os primeiros meses da gestão Evandro Leitão e propõe uma cidade mais justa, sustentável e participativa. Artur Bruno concedeu a entrevista ao jornalista Fábio Campos.

O que aconteceu:
O Focus Colloquium recebeu o professor, escritor e gestor público Artur Bruno, atual presidente do Ipplan (Instituto de Planejamento de Fortaleza). Com larga experiência na vida pública, Bruno agora lidera a missão de articular dados, territórios e escuta social em um plano de cidade que vá além das promessas: “Planejar é ouvir e integrar, não só desenhar obras.”

O que importa:
Sob orientação do prefeito Evandro Leitão, o Ipplan quer romper com o modelo centralizador da prefeitura e reativar um modelo de planejamento com base territorial, escuta ativa e responsabilidade compartilhada com a população. “A população tem que se sentir corresponsável pelo espaço público”, afirmou Bruno.

Principais pontos da entrevista:

1. Escuta ativa como base da gestão
•Em abril, o Ipplan realizou 39 fóruns territoriais em todas as regiões da cidade.
•A população opinou sobre as diretrizes do plano de governo, divididas em 12 temas.
•Cada participante pôde votar em prioridades e sugerir demandas locais.
•“Não é orçamento participativo, é compromisso com devolutiva”, disse Bruno.

2. Fortaleza rica e profundamente desigual
•A cidade tem o maior PIB do Nordeste, mas 36% da população vive abaixo da linha da pobreza.
•É a terceira pior capital em pobreza e quinta pior em desigualdade pelo índice de Gini.
•“O desafio não é só crescer, é distribuir melhor”, destacou Bruno.
•Principais demandas nos fóruns: saúde básica, drenagem, creches e segurança.

3. Déficit em creches ainda é um gargalo
•Mesmo com avanços em educação, Fortaleza não cumpre a meta nacional de atendimento em creches.
•“Sem creche, mãe não trabalha, renda da família cai, ciclo da pobreza se mantém.”

4. Lixo, reciclagem e cultura ambiental
•A coleta é eficiente, mas a reciclagem é pífia: apenas 4% dos resíduos são reaproveitados.
•“A cidade ainda não tem cultura de separação do lixo. É como o cinto de segurança: só vira hábito com educação e fiscalização.”

5. Integração entre secretarias e combate ao “sombreamento”
•O Ipplan busca articular ações entre pastas que historicamente atuam de forma isolada.
•“Nosso papel é evitar que cada secretaria pense sozinha. Cidade precisa de gestão integrada.”

6. Conferência da Cidade de Fortaleza
•Nos dias 27 e 28 de junho, na Assembleia Legislativa, será realizada a Conferência Municipal da Cidade, como parte do ciclo nacional.
•Pré-conferências territoriais começam em 17 de maio.
•“É um ato de cidadania: vamos construir juntos a Fortaleza do presente e do futuro.”

Aspas que importam:

“Não adianta construir uma praça se a população não toma de conta dela junto com o poder público.”

“Fortaleza é rica, mas profundamente desigual. Esse é o problema real que a gestão precisa enfrentar.”

“O lixo é mal tratado porque nunca houve educação ambiental em larga escala na cidade.”

“O poder público tem que dar o exemplo. A pedagogia é do exemplo.”

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