É tempo de silenciar os monstros; Por Walter Pinto Filho

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Quando a Justiça hesita, a civilização recua

“A clemência que poupa o culpado é a mesma que fere o inocente.”Sêneca

Eles estão entre nós

Casos brutais se acumulam. Monstros de carne e osso caminham pelas ruas, destroem famílias, ceifam infâncias — e zombam da Justiça.

• Em Campo Grande (MS), João Augusto Borges de Almeida matou a esposa, estrangulou a filha pequena, queimou os corpos e foi dormir. Confessou sem arrependimento.
• Em São Paulo (SP), Paulo Cupertino executou o jovem ator Rafael Miguel e seus pais. Durante o julgamento, riu.
• Em Quixeramobim (CE), Natany Alves, 20 anos, foi apedrejada até a morte ao sair da igreja.
• Em Sorriso (MT), Gilberto dos Anjos estuprou e matou mãe e três filhas. Foragido, foi condenado a apenas 22 anos.

Crimes sem piedade. Justiça sem rigor.

A pergunta que incomoda

A questão moral não é se a pena de morte deve ser aplicada.
A pergunta é: como não aplicá-la em casos de barbárie confirmada?

Quando não há dúvida, quando há confissão e provas, a execução deixa de ser opção — e se torna exigência ética.
Num país onde nem a prisão perpétua existe, o mal é irreversível, mas a pena é temporária.

Justiça ou conivência?

Immanuel Kant foi direto:

“Se alguém comete assassinato, deve morrer. Não há substituto.”

Ao destruir uma vida com frieza, o criminoso rompe o pacto civilizatório.
Renuncia à própria dignidade. E não merece viver entre nós.
• O que a sociedade faz com esses monstros?
Muitas vezes, os alimenta. Os abriga. Os perdoa.
Enquanto isso, a vítima é esquecida e os vivos, desamparados.

O valor pedagógico da punição

Sob a ótica utilitarista, defendida por Jeremy Bentham, o castigo existe para proteger o coletivo.

A execução do mal absoluto não é vingança — é defesa da civilização. Educa pela dissuasão. Elimina o risco. Restaura o pacto social.

A complacência virou álibi da omissão. A fraqueza se travestiu de compaixão. Mas não há compaixão possível com quem nega o básico da humanidade.

Justiça em estado puro

Não se trata de revanche. Trata-se de garantir que o mal seja vencido — com coragem, rigor e processo justo.

Quando a Justiça falha, os mortos são insultados. E os monstros repousam em paz — dentro da nossa sociedade.

Que o Estado silencie os monstros.
No sepulcro, com julgamento justo.
Como eles negaram às suas vítimas.

Walter Pinto Filho é Promotor de Justiça em Fortaleza, autor dos livros CINEMA – A Lâmina que Corta e O Caso Cesare Battisti – A Confissão do Terrorista. www.filmesparasempre.com.br

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