O Brasil cede à sedução da parceria militar com a China; Por Paulo Elpídio

COMPARTILHE A NOTÍCIA

ALGUÉM PESOU AS CONSEQUÊNCIAS DESSES ARROUBOS GUERREIROS DA DIPLOMACIA BRASILEIRA?

“Deixem a China adormecida, pois quando ela acordar vai sacudir o mundo.” Napoleão Bonaparte

Este senhor da guerra, da paz e da diplomacia brasileira parece desconhecer as consequências do passo belicoso anunciado. Ignorará, porventura, que o mundo esconde-se atrás de dois escudos de defesa e ataque — a OTAN e o antigo Pacto de Varsóvia — além da Federação Russa, da União Europeia e, digamos com sutileza, da Pax Americana?

Desde que nos tornamos Estado independente e soberano, espalhamos a ideia de que somos uma nação pacífica, temente a Deus e amante da lei e da ordem. Chegamos a inscrever na Carta Magna esse espírito conciliador, como mensagem “urbi et orbe” dos bons sentimentos que nos animam.

Será, portanto, uma metamorfose difícil e trágica nossa conversão em nação guerreira, filiando-nos a um pacto militar que nos traria a “proteção” da China. Ou, talvez, da Rússia. Até mesmo do Irã. Menos provável, mas não impossível, seria prestar lealdade a uma aliança de sangue com Maduro.

O risco maior está em transformar o Brasil em teatro de uma guerra que não é nossa, que não provocamos e não desejamos. Uma guerra ao lado de países com os quais não temos laços consistentes de amizade ou convergências culturais significativas. O que há, no fundo, é um comércio de commodities que nos reduz a exportador periférico e dependente, além de importador de bugigangas que sufocam nossa indústria e travam nossa criatividade.

A História não é generosa em lições otimistas. Dos dois conflitos internacionais dos quais participamos — a Guerra do Paraguai e a Força Expedicionária enviada à Itália — não colhemos saldo positivo para nossa ação militar. Restaram, sim, lances de heroísmo que celebramos com orgulho. Dos chacos paraguaios, lembramos a Retirada da Laguna, imortalizada pelo Visconde de Taunay. Da Itália, guardamos a dor de Pistoia e os 432 brasileiros lá enterrados, já no fim de uma guerra que não escolhemos, mas fomos arrastados por alianças de potências maiores.

O pior das guerras não é perder.

Nem mesmo vencer.

Sabe-se bem por quê.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Ibmec chega a Fortaleza e firma Ceará como polo nacional de educação, inovação e negócios

Pesquisa Atlasintel Piauí 2026: eleição praticamente resolvida a favor do PT

Pesquisa Focus Poder/Atlasintel explica decisão de Ciro e PSDB de manter distância de Flávio

PSD dos “Domingos” leva Comissão de Orçamento do Congresso e reforça musculatura para a vice no Ceará

Focus/Atlasintel: Lula abre larga vantagem no Ceará e reforça ativo eleitoral de Elmano para 2026

Pesquisa Focus/Atlas para o Senado Ceará: Cenários embolados com Cid favorito; sem sua candidatura, Luizianne salta

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel: Ciro e Elmano empatam na corrida ao Governo

UFC entra no Top 15 nacional de patentes e reforça posição como polo de inovação

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

PIX vira vitrine global: fundador do Web Summit diz que sistema brasileiro “destrói monopólios” e inspira o mundo

Em meio à batalha judicial, Eneva e Diamante iniciam investimento de R$ 6 bi em energia e infraestrutura no Pecém

MAIS LIDAS DO DIA

Alguma coisa em construção; Por Gera Teixeira

Lições práticas de política; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Latam encerra voos de Fortaleza para Miami e Santiago e amplia operação para Lisboa

Governo quer aumentar limite de faturamento do MEI e permitir até dois funcionários

Fechamento de quatro fábricas de calçados deixa 528 trabalhadores desempregados no Ceará

Governo mantém alta de tarifas para elétricos, mas libera cota de importação sem imposto

A aposta do Ibmec no capital humano cearense

Cerco da PF e MP amplia pressão sobre ex-prefeito de Choró; Filho foi preso