Censo do IBGE revela desigualdades de ocupação, renda e escolaridade no Brasil

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O fato: o IBGE divulgou, nesta quinta-feira (9), os dados do módulo Trabalho e Rendimento do Censo 2022, oferecendo um panorama detalhado sobre ocupação, rendimento e escolaridade da população ocupada no Brasil, nas Unidades da Federação e nos municípios. Diferentemente da PNAD Contínua, o Censo permite recortes mais profundos por atividades laborais, grupos etários e cor ou raça, com informações obtidas em 7,8 milhões de entrevistas, aproximadamente 10% dos domicílios do país.

Os dados: o município lidera o país com 82,9% da população ocupada, seguido por Vila Maria/RS (78,4%) e Serra Nova Dourada/MT (78,2%). A média nacional ficou em 53,5%, com grandes disparidades regionais: Norte (48,4%), Nordeste (45,6%), Sudeste (56,0%), Sul (60,3%) e Centro-Oeste (59,7%).

Em 2022, 62,9% dos homens estavam ocupados, contra 44,9% das mulheres. Entre as cores ou raças, homens brancos, pretos, pardos e amarelos apresentaram níveis de ocupação semelhantes, enquanto indígenas tiveram participação menor: 48,1% entre homens e 30,8% entre mulheres.

A faixa etária com maior nível de ocupação foi a de 35 a 39 anos (72,8%). Homens dessa faixa atingiram 82,6%, enquanto mulheres alcançaram 63,6%. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o nível de ocupação foi 13,2% para homens e 9,0% para mulheres, respeitando a legislação brasileira sobre trabalho juvenil.

28,9% das mulheres ocupadas tinham ensino superior completo, contra 17,3% dos homens. No ensino médio incompleto e fundamental incompleto, os homens predominam. Por cor ou raça, ocupados amarelos lideram com 52,1% com ensino superior, enquanto indígenas, pretos e pardos apresentam os maiores percentuais sem ensino fundamental completo.

mulheres representam 43,6% da população ocupada, mas dominam três grandes grupos: profissionais das ciências e intelectuais (60,8%), apoio administrativo (64,9%) e serviços e comércio (58,9%). Em contrapartida, têm menor participação em forças armadas, construção e indústrias extrativas.

9,3% dos municípios têm rendimento médio do trabalho abaixo de um salário mínimo. Em 2022, 35,3% dos trabalhadores recebiam até um salário mínimo, enquanto apenas 7,6% ganhavam mais de cinco. Homens (R$ 3.115) superaram mulheres (R$ 2.506), e ocupados amarelos e brancos tiveram salários médios superiores à média nacional, enquanto pardos, pretos e indígenas ficaram atrás.

Desigualdade persistente por escolaridade e cor: em todos os níveis de escolaridade, homens ganhavam mais que mulheres, com maior diferença no ensino superior completo: R$ 7.347 contra R$ 4.591. Entre cores ou raças, amarelos e brancos lideraram, seguidos por pardos, pretos e indígenas.

Rendimento: o trabalho respondeu por 75,5% da renda domiciliar total em 2022. Municípios do Centro-Oeste, como Querência/MT (93,7%), lideraram a participação do trabalho na renda, enquanto municípios do Nordeste registraram os menores percentuais, como Vera Mendes/PI (23,0%).

Nova Lima/MG registrou o maior valor municipal (R$ 4.300), enquanto Uiramutã/RR apresentou o menor (R$ 289). Amarelos e brancos têm rendimentos superiores à média nacional, enquanto indígenas, pardos e pretos ficam abaixo. A diferença de renda por gênero e cor é marcante: um homem amarelo (R$ 3.649) recebe mais de cinco vezes que uma mulher indígena (R$ 665).

Pobreza concentra-se no Norte e Nordeste: 13,3% da população tinha rendimento domiciliar per capita de até ¼ de salário mínimo, com maiores proporções no Norte (23,3%) e Nordeste (22,4%), e menores no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

 

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