
Por que importa: o principal índice da B3 entrou em território inédito porque o dinheiro — especialmente o estrangeiro — passou a precificar algo que ainda não aconteceu: a possibilidade real de alternância de poder em 2026 somada a uma economia doméstica menos frágil do que se imaginava.
O que aconteceu
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O Ibovespa ultrapassou, pela primeira vez, o patamar dos 166 mil pontos, estabelecendo um novo recorde nominal.
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A Bolsa brasileira acumula alta próxima de 3% em 2026, depois de encerrar 2025 já em tendência de recuperação.
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O movimento ocorre com volume forte e liderança dos pesos-pesados: bancos, Vale e Petrobras — que juntos representam cerca de metade do índice.
O motor real do rali
Não é apenas macroeconomia. É política.
Nos últimos dias, o mercado passou a trabalhar com três premissas ao mesmo tempo:
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A eleição presidencial entrou em modo competitivo.
Pesquisas recentes mostram redução da vantagem de Lula contra Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior. Isso reabre o “prêmio Brasil”. -
O centro-direita ganhou nomes viáveis.
A disposição pública de Ratinho Júnior de disputar a Presidência muda o tabuleiro. Investidores gostam de alternativas. -
O risco fiscal ficou menos assimétrico.
Quanto maior a chance de alternância, menor o medo de políticas econômicas ainda mais expansionistas em 2027.
Tradução em mercado: o Brasil voltou a ser “trade político”.
Quem puxou a alta
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Bancos sobem em bloco, com investidores ignorando ruídos pontuais no sistema financeiro e tratando episódios recentes como casos isolados.
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Vale opera em máximas históricas, impulsionada por fluxo estrangeiro e pela reprecificação das commodities.
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Petrobras devolve parte dos ganhos por causa do petróleo, mas não freia o índice.
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Varejo, liderado por Magazine Luiza, reage aos dados de consumo melhores que o esperado.
O pano de fundo econômico
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Vendas no varejo acima das previsões indicam que o consumo segue sustentado.
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Transferências de renda, crédito consignado e aumento da renda real continuam irrigando a economia.
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O mercado começa a aceitar que o Brasil pode crescer mais sem piorar tanto o risco fiscal no curto prazo.
E lá fora?
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Wall Street opera em alta após sinais de distensão entre o governo americano e o Federal Reserve.
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Tensões geopolíticas seguem no radar, mas o fluxo de risco voltou para mercados emergentes.
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O dólar sobe contra moedas fortes, mas cai frente ao real, reforçando a leitura de entrada de capital no Brasil.
O que isso revela
O recorde do Ibovespa não é sobre 2025. É sobre 2027.
A Bolsa está dizendo, em voz alta:
o Brasil deixou de ser visto apenas como um risco inevitável e voltou a ser tratado como uma oportunidade opcional.
Quando isso acontece, o dinheiro corre para os ativos antes que a política mude de fato.
E foi exatamente isso que ocorreu hoje.






