O Ceará perde, neste 21 de março de 2026, um de seus mais consistentes construtores de futuro. Engenheiro, professor, gestor público e parlamentar, Francisco Ariosto Holanda morreu aos 87 anos, deixando uma trajetória marcada por uma convicção rara na política brasileira: a de que ciência, tecnologia e educação são motores reais — e indispensáveis — do desenvolvimento.
Nascido em 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará, instituição à qual permaneceria ligado também como professor. Antes da vida pública, construiu carreira técnica em empresas como Coelce e Petrobras, experiência que moldou sua visão pragmática sobre infraestrutura, inovação e crescimento econômico.
Sua entrada na política ocorreu no fim dos anos 1980, quando assumiu a Secretaria da Indústria e Comércio no primeiro governo Tasso Jereissati. A partir daí, consolidou-se como um formulador estratégico, voltado à modernização econômica do Ceará. Em 1990, elegeu-se deputado federal, cargo que exerceria por seis mandatos, construindo uma trajetória longeva sustentada por densidade técnica e foco programático.

Mas foi na área de ciência e tecnologia que deixou sua marca mais profunda. À frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará, especialmente entre meados dos anos 1990 e início dos 2000, estruturou políticas pioneiras em um campo ainda periférico no debate público. Sua atuação foi decisiva para a criação e expansão dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), iniciativa que levou formação técnica e acesso ao conhecimento para o interior do estado, aproximando inovação da vida concreta da população.
Ariosto era, essencialmente, um defensor da educação aplicada. Enquanto grande parte da política operava no curto prazo, ele pensava em décadas. Sustentava que não há desenvolvimento sólido sem base científica, qualificação técnica e planejamento estratégico. Ao longo da vida, recebeu diversas honrarias ligadas à educação, ciência e serviço público, reconhecimento de uma atuação coerente e persistente.
No Congresso Nacional, manteve essa mesma linha. Passou por diferentes partidos, mas preservou uma identidade clara: a defesa da ciência, da educação tecnológica e da inovação como pilares da soberania e da competitividade do país.

Não foi um político de espetáculo. Foi um construtor de estruturas — muitas vezes invisíveis, mas duradouras. Seu legado está menos nos discursos e mais nas instituições que ajudou a erguer, nas políticas que antecipou e nas oportunidades que criou para milhares de cearenses.
Em um ambiente político frequentemente dominado pelo imediatismo, Ariosto Holanda representava uma exceção: a crença de que o futuro pode — e deve — ser planejado.
Sua ausência deixa um vazio que não se mede apenas pelo que foi, mas pelo tipo de pensamento público que ele encarnava — cada vez mais raro.






