
Pretendo continuar falando das eleições do ano que vem, acho interessante pensarmos muito sobre ela. Claro que como já disse nesse espaço, as eleições municipais têm como sua principal característica a predominância de temas locais (e elas mudam de cidade para cidade) em detrimento dos nacionais. Porém, as sinopses de cada eleição tendem a seguir um mesmo roteiro básico.
Para entender melhor esse roteiro, a primeira questão é levar em consideração é se o prefeito é candidato à reeleição, ou se vai apoiar alguém. Isso é fundamental. Em princípio, aqueles que buscam a reeleição são favoritos, a não ser em casos excepcionais. Para ilustrar melhor isso, como exemplo mais próximo de nós, em relação às últimas eleições municipais, os nove prefeitos de capitais do Nordeste foram candidatos à reeleição.
Dos nove, oito foram reeleitos. O único não reeleito foi João Alves, então prefeito de Aracaju, que já tinha sido até governador de Sergipe e tinha uma rejeição muito alta e fazia uma administração pra lá de desastrosa. Os demais, seja no primeiro ou no segundo turno, foram reeleitos. Isso comprova o quanto o fato do candidato já estar sentado na cadeira de prefeito pesa durante a campanha.
Lembremos de alguns números da eleição de Fortaleza, com base nas pesquisas do IBOPE, onde eu trabalhava à época: a primeira pesquisa, feita ainda em agosto e antes do início do Horário Eleitoral Gratuito na TV e nas rádios, mostrava um nível de interesse relativamente baixo pela eleição (apenas 18% se dizia muito interessado com o pleito, enquanto 33% se declarava sem nenhum interesse). Já no início de setembro, com o início da campanha nas mídias tradicionais, o nível de muito interesse pelas eleições sobre para 25% e de nenhum interesse recua para 28% (ainda alto, mas já menor que os 33% de apenas um mês antes). Já no início do segundo turno, o número dos que se diziam muito interessados era de 31% (treze pontos percentuais a mais que no início de agosto). O que isso nos serve de lição? Que mesmo que comece morna, a campanha eleitoral anima as pessoas e faz com que a eleição ganhe destaque. A eleição de 2018 foi onde isso mais foi observado.
Assim, o primeiro fato a se salientar é que o interesse pelas eleições, mesmo que comece com um certo desânimo por parte do eleitorado, tende a aumentar com a campanha.
Outro fator importante provocado pela campanha eleitoral é a significativa melhora na avaliação do prefeito (caso ele seja candidato). É quase uma regra. E só não funciona se sua aprovação está em níveis muito baixos logo no início da campanha. Vale lembrar que em Fortaleza, em agosto, a aprovação do prefeito Roberto Cláudio era de 47%. Na primeira pesquisa do segundo turno, essa mesma aprovação já era de 62%, facilitando (e muito) sua reeleição no segundo turno ao final de outubro.
Enfim, é muito provável que o esboço das eleições em cidades onde o atual prefeito deve ser candidato siga esse roteiro, com o aumento do nível de interesse no pleito no decorrer da campanha e a significativa melhora na avaliação do gestor com o início da sua propaganda eleitoral. Vamos monitorar isso em 2020.







