Um pouco mais sobre as eleições de 2020, por Maurício Garcia

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Maurício Garcia é sociólogo graduado pela FFLCH-USP, tem pós-graduação pela Fundação Escola de Sociologia de São Paulo (onde já lecionou) e pela ECA-USP (em marketing). Trabalhou mais de 20 anos no IBOPE, maior instituto de pesquisa da América Latina e como pesquisador é associado à Wapor (World Association for Public Opinion), tendo participado de diversos congressos da entidade pelo mundo. Também como pesquisador, foi vencedor do Prêmio Alfredo Carmo, oferecido pela ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), como melhor trabalho no 7º congresso da entidade com o estudo “A eleição para deputados em 2014 – Uma nova Câmara, um novo país”. Garcia é o mais novo articulista Focus.

Pretendo continuar falando das eleições do ano que vem, acho interessante pensarmos muito sobre ela. Claro que como já disse nesse espaço, as eleições municipais têm como sua principal característica a predominância de temas locais (e elas mudam de cidade para cidade) em detrimento dos nacionais. Porém, as sinopses de cada eleição tendem a seguir um mesmo roteiro básico.
Para entender melhor esse roteiro, a primeira questão é levar em consideração é se o prefeito é candidato à reeleição, ou se vai apoiar alguém. Isso é fundamental. Em princípio, aqueles que buscam a reeleição são favoritos, a não ser em casos excepcionais. Para ilustrar melhor isso, como exemplo mais próximo de nós, em relação às últimas eleições municipais, os nove prefeitos de capitais do Nordeste foram candidatos à reeleição.
Dos nove, oito foram reeleitos. O único não reeleito foi João Alves, então prefeito de Aracaju, que já tinha sido até governador de Sergipe e tinha uma rejeição muito alta e fazia uma administração pra lá de desastrosa. Os demais, seja no primeiro ou no segundo turno, foram reeleitos. Isso comprova o quanto o fato do candidato já estar sentado na cadeira de prefeito pesa durante a campanha.
Lembremos de alguns números da eleição de Fortaleza, com base nas pesquisas do IBOPE, onde eu trabalhava à época: a primeira pesquisa, feita ainda em agosto e antes do início do Horário Eleitoral Gratuito na TV e nas rádios, mostrava um nível de interesse relativamente baixo pela eleição (apenas 18% se dizia muito interessado com o pleito, enquanto 33% se declarava sem nenhum interesse). Já no início de setembro, com o início da campanha nas mídias tradicionais, o nível de muito interesse pelas eleições sobre para 25% e de nenhum interesse recua para 28% (ainda alto, mas já menor que os 33% de apenas um mês antes). Já no início do segundo turno, o número dos que se diziam muito interessados era de 31% (treze pontos percentuais a mais que no início de agosto). O que isso nos serve de lição? Que mesmo que comece morna, a campanha eleitoral anima as pessoas e faz com que a eleição ganhe destaque. A eleição de 2018 foi onde isso mais foi observado.
Assim, o primeiro fato a se salientar é que o interesse pelas eleições, mesmo que comece com um certo desânimo por parte do eleitorado, tende a aumentar com a campanha.
Outro fator importante provocado pela campanha eleitoral é a significativa melhora na avaliação do prefeito (caso ele seja candidato). É quase uma regra. E só não funciona se sua aprovação está em níveis muito baixos logo no início da campanha. Vale lembrar que em Fortaleza, em agosto, a aprovação do prefeito Roberto Cláudio era de 47%. Na primeira pesquisa do segundo turno, essa mesma aprovação já era de 62%, facilitando (e muito) sua reeleição no segundo turno ao final de outubro.
Enfim, é muito provável que o esboço das eleições em cidades onde o atual prefeito deve ser candidato siga esse roteiro, com o aumento do nível de interesse no pleito no decorrer da campanha e a significativa melhora na avaliação do gestor com o início da sua propaganda eleitoral. Vamos monitorar isso em 2020.

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