
Por força do título, cumpre ressalvar: este artigo não pretende sondar as motivações íntimas dos personagens citados, nem apostar em rumor de bastidores políticos (sempre tão movediços), mas tão somente projetar um cenário com base exclusiva numa avaliação de ordem estratégica. Isto é, no limite do que “deveria ser”.
Sendo assim, afirmo que o governador do Ceará, Camilo Santana, seria o melhor candidato do seu partido, PT, à presidência da República em 2022, considerando aí, como sempre, uma combinação entre atributos pessoais e conjuntura política. Isso, por óbvio, tendo em vista que Lula da Silva, julgado em segunda instância, só poderia vir a ser candidato, o que seria a opção natural, caso anulados os dois processos já julgados contra ele e sustados os outros em que ainda será réu.
Quatro fatores apontam na direção indicada.
1 – É nordestino, filho da região que se tornou a cidadela de defesa do Lulismo. Um candidato do Nordeste seria mais convincente quanto à representação do eleitorado mais consolidado do seu partido. Teria força na largada.
2 – Camilo é do tipo “ficha limpa”: não pesa sobre ele, ao contrário de outras lideranças do PT (Lula, inclusive), nenhuma narrativa relacionada a Corrupção, hoje o calcanhar de Aquiles do petismo. Iria para a campanha sem ter que se explicar.
3 – Seu governo no Ceará tem vistosas vitrines: os inquestionáveis bons resultados em Educação, e Segurança Pública, com o combate às capitanias do crime nos presídios e a queda continuada nas estatísticas mais trágicas – as de crimes violentos.
4 – Iria ferir de morte a candidatura do único opositor declarado do PT no espectro político de centro-esquerda, Ciro Gomes, que tem reservado para seus ex-aliados as mais amargas palavras de seu diversificado acervo de ofensas.
Eu sei, a solução apontada enfrentaria diversos obstáculos. O Partido dos Trabalhadores é, diria até antropologicamente, um partido sulista, cuja identidade se afirmou no contexto socioeconômico da base industrial metal mecânica.
Outro obstáculo estaria na principal virtude do próprio Camilo: o menino da dona Almengarda é um sensato nato. Sua prudência não indica que seja susceptível a apelos temerários, como uma ruptura de tal dimensão com seus aliados locais.
Mas “a política”, como já foi dito, “é dinâmica”. Nela, o impossível é apenas a parte que ainda não aconteceu. Em política, para trair e coçar, é só começar. Por mais legítima que fosse, a decisão comprometeria suas noites de sono.
São conjecturas, mas não custa recortar.







