
Situação atual é difícil e exaustiva. Estamos em casa, por vários dias, muitas vezes privados de contato presencial com pessoas que amamos e que fazem parte das nossas vidas.
Somos seres sociais, precisamos do outro e temos a necessidade de mantermos bons relacionamentos para nos sentirmos fortalecidos.
Aliás, essa necessidade é saudável. Contar com alguém, nos ajuda a lidar melhor com nossos problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas tal como essa que estamos vivendo.
Ocorre que algumas pessoas estão de quarentena em casa sozinhas e outras em família. Em ambos os casos, todos estão diante de forte estresse.
Há muito medo e incerteza, que nos deixa com as emoções à flor da pele, seja no convívio virtual ou presencial e tudo isso tem afetado nossos relacionamentos.
As diferenças nessa época podem estar mais acentuadas e causando mais irritabilidade que o costume, fazendo com que tudo vire gatilho que pode desencadear uma chateação ou até mesmo uma discussão mais acalorada. Uma esponja fora do lugar, uma expressão que o outro fez e até mesmo o silêncio ou a resposta atravessada de uma mensagem podem gerar divergências.
Qualquer divergência, seja de pensamentos ou de comportamentos, se torna um jogo de ataque e defesa, estimulando um mecanismo de fugir ou lutar e desta forma podemos apresentar dois movimentos:
1 – podemos ter um conflito expresso ou;
2 – para não entrar em choque frequente, resolvemos nos isolar, em um cômodo da casa e se estivermos sozinho, evitamos entrar em contato com outros.
Quando agimos assim, buscamos nos proteger, mas a consequência é que nosso mundo se contrai e isso nos deixa cada vez mais isolados e tristes.
Reagimos por meio do conflito ou do isolamento como uma forma de prevenir o que julgamos que o outro pensou ou fará. Temos certeza sobre qual será a reação do outro.
É importante desarmar a mente e o coração para fortalecer os laços afetivos e estar num ambiente harmônico. O adversário que todos enfrentamos neste momento são as circunstâncias e não as pessoas.
Para tanto, é necessário:
1. Autoconhecimento
Entender o que você está sentindo, como essas emoções lhe afetam, inclusive fisicamente, é imprescindível. É importante a compreensão do que está acontecendo conosco para que desta forma, possamos entender que o outro também deve estar passando por algo semelhante.
2. Entender a necessidade (sua e do outro) ao invés de gerar expectativa
Quando compreendemos as necessidades do outro, sem julgá-lo e sem tentar moldá-lo às nossas expectativas, conseguimos nos colocar no seu lugar e perceber o que está acontecendo com maior clareza.
Isso nos desperta a parar de interpretar os acontecimentos e passar a ver o fato em si mesmo.
Reconhecer que nós e o outro podemos ter necessidades diferentes faz com que o limite de cada um seja respeitado.
Não é porque a pessoa ficou calada que quer lhe ignorar ou que a louça está suja na pia pois todos querem lhe explorar.
Que tal falar para a pessoa que se calou que você percebeu que ela silenciou e que gostaria de entender o que isso significa? Ou de chamar a pessoa que deixou a louça suja e dizer que você gostaria que todos lavassem a louça que sujam?
Além de deixar claro as suas necessidades (seja de entender o que está acontecendo ou de dividir as tarefas como o exemplo) é importante também identificar as necessidades do outro, quaisquer que sejam, como: ficar em silêncio um pouco, bater um papo, brincar (no caso das crianças), trabalhar sem interferências etc
3. Ter atitudes compassivas
Demostrar interesse pelo bem-estar e pelo acolhimento (nosso e do outro) nos momentos difíceis, desperta a compaixão e a autocompaixão. É importante evitar os extremos da culpa e da ruminação e intensificar a expressão de mais sentimentos carinhosos e calorosos.
Isso nos tira da área do medo, nos deixa mais seguros e alteram nosso corpo e nossa mente, acionando a química interna que nos faz sentir mais satisfação, calma e segurança, que é tudo que precisamos agora.
Uma dica: cuide da forma como você se comunica!
Podemos usar aqui um recurso que é a Comunicação Não Violenta, metodologia criada por Marshall Rosemberg que consiste, resumidamente em 04 passos:
• Observação: se atenha aos fatos, sem avaliar, para que os fatos não sejam vistos como uma crítica.
• Sentimentos: É preciso reconhecer e expressar os sentimentos, pois expressar nossa vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos, como por exemplo: fico chateada, fico triste etc.
• Necessidade: expresse a sua necessidade.
• Acordo ou pedido: Onde as duas partes acordam uma solução.
Por fim, um ambiente de harmonia passa por reconhecer que todos somos humanos e acolher as forças e fraquezas de quem está conosco e as nossas também.







