
Equipe Focus
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O uso de medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina, azitromicina e anticoagulantes, que fazem parte do chamado “kit COVID”, teria levado cinco pacientes à fila do transplante de fígado em São Paulo. É o que revela reportagem do Estadão.
Segundo o periódico, o uso dos medicamentos estaria sendo apontado como causa de três mortes por hepatite.
Segundo a reportagem, o aumento relatado por médicos de pacientes que chegam ao pronto-socorro com algum efeito relacionado ao uso desses remédios coincide com o agravamento da pandemia.
Números do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostram que o total de unidades vendidas de ivermectina, por exemplo, subiu 557% em 2020 em comparação com 2019, sendo dezembro o mês recordista de vendas da droga.
Medicamento politizado
Desde o início da pandemia, o uso da cloroquina no tratamento de COVID-19 vem sendo politizado. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro defendia o uso do medicamento no tratamento precoce, opositores alegavam que o fármaco carecia de comprovação de eficácia e segurança.
Em março de 2020, o médico David Uip, então infectologista da equipe do governador de São Paulo, João Dória, e líder do comitê de emergência para combater a pandemia no estado, estava com COVID-19 e prescreveu a si próprio difosfato de cloroquina, 250 mg. Após a recuperação, Uip foi questionado se havia usado cloroquina. O médico não confirmou o uso e disse apenas não ser contra a cloroquina.
Em maio de 2020, o grupo cearense Hapvida, maior operadora de saúde do País, disse ter concluído que a hidroxicloroquina, quando associada a outras drogas, tem grande influência para evitar que a situação dos pacientes caminhe para a situação de maior gravidade, reduzindo os índices de internação e intubamento dos pacientes. Por isso, a rede decidiu prescrever o medicamento, de preferência logo aos primeiros sintomas.







