O fato: O Banco Master encerrou 2024 com um lucro de R$ 1 bilhão, quase o dobro dos R$ 523 milhões registrados em 2023, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (1º). O resultado financeiro veio acompanhado de um aumento no patrimônio líquido, que saltou de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões no período, e no total de ativos, que passou de R$ 36 bilhões para R$ 63 bilhões.
Apesar do crescimento expressivo, a instituição enfrenta questionamentos no mercado financeiro, especialmente após a tentativa de compra pelo Banco de Brasília (BRB) e pelo BTG Pactual.
Expansão no varejo e crédito consignado: O avanço do Banco Master foi impulsionado pela ampliação da carteira de crédito, que fechou o ano em R$ 40,31 bilhões, e pelo aumento da atuação no varejo. A instituição expandiu a concessão de crédito consignado por meio da financeira Credcesta e fortaleceu o Will Bank, seu braço digital com forte presença no Nordeste.
As receitas com operações de crédito somaram R$ 4,2 bilhões, uma alta de 54,16% em relação a 2023. Já o lucro com títulos e valores mobiliários cresceu de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,5 bilhões.
Para otimizar custos, o banco unificou operações do Will Bank, da Credcesta e da seguradora Kovr, além de ampliar os investimentos em governança, criando novos comitês internos.
Tentativa de compra e investigações: O BRB anunciou na sexta-feira (28) sua intenção de adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões, ficando com 58% do capital total e 49% das ações ordinárias. A proposta gerou polêmica e levou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e o Ministério Público de Contas do DF a abrirem investigações sobre o negócio.
O Sindicato dos Bancários de Brasília também manifestou preocupação e pretende pedir ao Banco Central e ao Cade que rejeitem a aquisição. Há temores sobre uma possível gestão inadequada do BRB e riscos financeiros envolvendo a transação.
Dúvidas sobre a saúde financeira do Master: O mercado financeiro tem demonstrado desconfiança em relação ao Banco Master devido à sua política agressiva de captação de recursos. A instituição oferece rendimentos de até 140% do CDI para investidores que compram seus papéis, muito acima das taxas médias praticadas por bancos menores, que variam entre 110% e 120% do CDI.
Além disso, o Master não conseguiu captar recursos em uma recente emissão de títulos em dólares, e suas operações com precatórios levantaram dúvidas sobre sua situação financeira.
O BTG Pactual chegou a oferecer R$ 1 pelo controle do Master, desde que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cobrisse suas dívidas. No entanto, a falta de consenso entre os bancos que financiam o FGC impediu o fechamento do negócio.