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“O dólar amanheceu com uma tendência de baixa no mundo, com os números da China, que pode, talvez, acelerar a atividade industrial, o que é bom para commodities e para as exportações brasileiras”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.
O contraponto ao alívio vindo da China foi a divulgação do índice de inflação ao consumidor acima do esperado nos Estados Unidos. O CPI subiu 0,3% em abril, ante expectativa de 0,2%. Na comparação anual, o CPI avançou 8,3%, também além do esperado (8,1%), mas marcou a primeira desaceleração desde agosto do ano passado.
Embora tenha esfriado a aposta em alta de 75 pontos-base na reunião do BC americano em junho, a perspectiva ainda é de ajuste monetário rápido nos EUA. Espera-se que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mantenha o discurso duro contra a inflação e que promova elevações seguidas da taxa básica em 50 pontos-base por reunião.
À tarde, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, disse que pode apoiar subir os juros nos EUA a um patamar que restrinja o crescimento econômico, caso a alta inflação persista após os Fed funds atingirem um nível neutro. Ele defendeu que o BC americano promova altas seguidas de 50 pontos-base até que a taxa básica chegue ao nível neutro, estimado em cerca de 2,4%.
Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – chegou a operar em queda firme, registrando mínima aos 103,372 pontos, mas se recuperou e, quando o mercado doméstico fechou, marcava 104,011 pontos, alta de 0,9%.
O especialista em renda fixa da Blue3, Nicolas Giacometti, ressalta que, além da recuperação das commodities com arrefecimento do covid na China, o mercado se apoiou no afastamento da alta de 75 pontos-base da taxa básica americana para recompor posições em ativos de risco pela manhã. “A inflação americana é alta, mas mostrou desaceleração anual. Talvez o Fed não tenha que subir assim tanto os juros para a inflação começar a perder força e, com isso, não machuque tanto a economia americana”, diz Giacometti, ressaltando, contudo, que o ambiente ainda é de muita incerteza, o que mantém os ativos sem tendência firme.
Por aqui, o IPCA de 1,06% em abril, acima da mediana de Projeções Broadcast (1%), deu vazão a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha que estender o ciclo de aperto monetário para além de junho e levar a Selic para perto de 14%. Em tese, quanto maior a taxa doméstica, melhor para a moeda brasileira.
Profissionais do mercado alertam que a baixa visibilidade diante das incertezas domésticas e externas, sobretudo em relação ao ajuste monetário nos Estados Unidos, aumenta muito a volatilidade e diminui o apetite pelo carry trade (operação que explora diferencial de juros entre países).
Em participação no Broadcast ao Vivo desta quarta-feira, a economista para o Brasil do BNP Paribas, Laiz Carvalho, afirmou que o dólar deve subir até o patamar de R$ 5,20 com a aproximação das eleições presidências. Também contribui para pressionar o câmbio, segundo a economista, uma política monetária mais contracionista nos Estados Unidos e na zona do euro.







