Contas públicas têm déficit de R$ 21,4 bi em agosto; dívida vai a 78,55% do PIB

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Foto: Divulgação

O fato: O setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) teve um déficit primário de R$ 21,425 bilhões em agosto, praticamente repetindo o resultado do mês anterior (R$ 21,348 bilhões), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda, 30.

No acumulado dos últimos 12 meses, o rombo ficou em R$ 256,337 bilhões, o equivalente a 2,26% do PIB. Até julho, esse déficit era de R$ 257,742 bilhões (ou 2,29% do PIB). O resultado primário reflete a diferença entre as receitas e despesas do setor público, antes do pagamento dos juros da dívida pública.

Entenda: A abertura dos dados indica que, em agosto, houve um déficit primário de R$ 22,329 bilhões do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS); já as empresas estatais e os Estados apresentaram superávit de R$ 469 milhões e de R$ 3,386 bilhões, respectivamente; no caso dos municípios, o resultado foi um rombo de R$ 2,951 bilhões.

Para o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, o rombo do governo central reflete o crescimento insuficiente das receitas líquidas para compensar o aumento das despesas e os desembolsos para o Fundo Eleitoral, de cerca de R$ 5 bilhões. “Vemos uma melhora muito tímida no resultado do governo central, insuficiente para atingir a meta de resultado primário e, principalmente, estabilizar a dívida pública”, escreveu ele, em relatório.

Já o Itaú Unibanco reforçou que há necessidade de um novo bloqueio de despesas do governo federal no relatório bimestral de novembro “para garantir o cumprimento do limite de despesas em 2024 e a efetivação das medidas arrecadatórias visando o cumprimento da meta de primário”. Na avaliação do banco, a arrecadação segue se mostrando forte, mas os riscos fiscais continuam “elevados”, dado o crescimento de gastos obrigatórios acima do limite definido no arcabouço e a dificuldade de uma trajetória de convergência de resultados primários.

Já a dívida bruta do governo geral cresceu 0,15 ponto porcentual na passagem de julho para agosto, de 78,40% para 78,55% do PIB. Em dezembro de 2023, estava em 74,42%. Em reais, o salto foi de R$ 71,665 bilhões: de R$ 8,826 trilhões, em julho, para R$ 8,898 trilhões em agosto. O indicador é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida maior o risco de calote por parte do Brasil.

O pico da série da dívida bruta foi alcançado em dezembro de 2020 (87,6%), em virtude das medidas fiscais adotadas no início da pandemia de covid-19. No melhor momento, em dezembro de 2013, a dívida bruta chegou a 51,5% do PIB.

Haddad: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu ontem um alinhamento das políticas fiscal (comandada por sua pasta) e monetária (executada pelo BC), como condição para a economia crescer de forma sustentada. “Ou fiscal e monetário andam juntos virtuosamente, ou vamos ter problema”, afirmou ele, em entrevista à rádio CBN.

Segundo Haddad, quanto mais o arcabouço for respeitado, maior será o espaço para o BC voltar a cortar os juros.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Vorcaro teve prisão decretada em 2020, mas instituições falharam e a porta se abriu para os crimes em série

Apostas bilionárias e suspeitas antecipam ataque dos EUA ao Irã

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Freio de arrumação no governismo do Ceará: ambições e a difícil engenharia da chapa de 2026

MP dos datacenters caduca e ameaça planos no Ceará, incluindo planos do projeto de R$ 200 bi no Pecém

Camilo, a missão, o ruído e o desconforto de Elmano

TikTok e Omnia contestam laudo do MPF sobre Datacenter de R$ 200 no Pecém

Do jeito que vai, eleição presidencial vai ser decidida pelo eleitor “nem-nem”

A política de segurança, a lógica do crime e os gigolôs da violência

PPP do Esgoto no Ceará: R$ 7 bilhões para universalizar saneamento em 127 cidades

Genial/Quaest: Lula segue com desaprovação maior que aprovação e perde fôlego entre independentes

Lula lidera, mas Flávio encosta e vira principal rival, aponta Genial/Quaest; Polarização se mantém

MAIS LIDAS DO DIA

Castanhão já recebeu mais água que em 2025 e Orós chega a quase 80% de acúmulo

Feminicídio cresce no Brasil e Justiça intensifica ações de proteção às mulheres

STJ exige perícia para validar print de WhatsApp e substitui prisão por medidas cautelares

PRF estabelece restrições para circulação de veículos de grande porte em feriados de 2026

Tamboril: INCRA reconhece assentamento Aroeiras e inclui famílias em reforma agrária no Ceará

STF autoriza vaquejada no Brasil com garantia do bem-estar animal

Cid Gomes é “elemento de coesão” da base governista, diz Acrísio Sena

Avaliação por IA aponta que nota do escritótio da esposa de Moraes não se sustenta em pé

CPMI do INSS amplia pressão sobre Lulinha após quebra de sigilo