
Pela primeira vez desde a eclosão do maior escândalo financeiro da história recente do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu se posicionar publicamente. O fez de forma direta, sem citar nomes, mas deixando claro o alvo: o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Texto produzido com informações da Agência Brasil.
Durante cerimônia em Maceió, Lula classificou como “falta de vergonha na cara” a defesa pública feita por setores do mercado ao banqueiro, acusado de provocar um rombo estimado em quase R$ 40 bilhões. Ao mencionar que os prejuízos serão absorvidos por instituições sólidas — públicas e privadas — via Fundo Garantidor de Crédito, o presidente deslocou o debate do campo técnico para o político: quem paga a conta, mais uma vez, é o sistema — e, em última instância, a sociedade.
O discurso marca uma inflexão. Até aqui, o Planalto havia tratado o caso com cautela, evitando atritos com o mercado financeiro. Ao vocalizar o problema, Lula sinaliza que não pretende blindar o episódio sob o argumento da estabilidade bancária. A mensagem é clara: não haverá tolerância política para um escândalo dessa magnitude, ainda que o custo da crise recaia sobre bancos tradicionais.
Comparação como estratégia eleitoral
No mesmo evento, dedicado à entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida e à celebração de dois milhões de contratos desde 2023, Lula antecipou o tom que deve marcar 2026. Segundo ele, será “o ano da comparação” entre seu terceiro mandato e os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
A estratégia é conhecida: reconstrução versus desmonte. Estradas, saúde, universidades, institutos federais e acesso ao ensino superior aparecem como indicadores centrais dessa disputa narrativa. Mais do que um balanço administrativo, trata-se de preparar o terreno político para o embate eleitoral que se aproxima.
Fake news, violência de gênero e agenda social
Lula também reforçou o discurso contra a desinformação, alertando para o impacto das fake news no debate público. Ao associar mentira, ódio e fragmentação social, o presidente recoloca o tema no centro da agenda institucional, mirando diretamente as redes sociais.
Outro ponto sensível foi o apelo aos homens no enfrentamento da violência contra as mulheres. Ao afirmar que o problema é estrutural e majoritariamente masculino, Lula tenta reposicionar o debate para além da retórica punitiva, chamando à responsabilidade coletiva.
Entregas em Alagoas
No campo administrativo, o governo entregou ambulâncias do Samu e Unidades Odontológicas Móveis a diversos municípios de Alagoas, reforçando a presença federal na saúde básica e retomando bandeiras históricas como o programa Brasil Sorridente.
Em resumo: ao falar do Banco Master, Lula não apenas reage a um escândalo financeiro. Ele redefine o enquadramento político da crise, antecipa o discurso eleitoral de 2026 e reafirma sua narrativa central: reconstrução institucional, confronto com privilégios e disputa direta pela memória recente do país.





