Eunício candidato? É possível sim; Por Ricardo Alcântara

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Por Ricardo Alcântara*

Em uma live produzida pelo site Focus, em que foi entrevistado pelo jornalista Fábio Campos, o presidente do MDB no Ceará, Eunício Oliveira, definiu, como condição de apoio, a data de 10 de julho — pouco menos de duas semanas, portanto — para que o PDT anuncie o nome que pretende lançar para o governo do estado: Izolda Cela ou Roberto Cláudio.

Pelo que disse, se até lá nada for definido, o seu partido irá buscar construir outras composições para o pleito deste ano. Se o nome definido for o do ex-prefeito de Fortaleza, idem, e sua opção preferencial seria marchar com o PT, oferecendo para Lula um palanque próprio no Ceará, onde lidera a corrida eleitoral com ampla maioria.

Eunício gostaria, nesse caso, de ser candidato ao governo com Luizianne Lins em sua chapa, apoiando Camilo Santana para o senado e Lula da Silva, como foi dito, para a presidência. Caso se veja levado a isso e tenha, de fato, o apoio do PT, Eunício terá, segundo sondagens recentes, grandes chances de chegar ao segundo turno.

A pesquisa de que dispõe, registrada no TSE, indica que seu nome, apoiado por Lula, teria o maior percentual de votos se as eleições fossem hoje: 41%, com os demais candidatos dividindo com brancos e nulos o volume restante de 59%. (o apoio de Ciro Gomes não atrapalharia o candidato do PDT, mas o de Bolsonaro seria letal para Capitão Wagner).

O líder do MDB iria para a disputa como:

1) Um aliado histórico de Lula

2) Oferecendo ao eleitor experiência administrativa, pública e privada

3) Com índice de rejeição, afinal, na média dos demais candidatos

4) E, muito relevante: exibindo uma extensa lista de serviços prestados ao Ceará como mediador de recursos para as principais obras realizadas por Camilo Santana, o ex-governador com 76% de intenções de votos para o senado.

A quem acompanha o processo eleitoral com maior interesse, recomendo assistir à entrevista do ex-senador (veja aqui), onde fez revelações surpreendentes dos bastidores de eleições anteriores, narrando em detalhes os motivos que o levaram a desacreditar dos Ferreira Gomes no cumprimento de compromissos acordados.

Eunício candidato seria má notícia não apenas para governistas: sua presença na disputa, apoiado por seu amigo Lula, poderia tirar do segundo turno o candidato de oposição, Capitão Wagner, tão marcado pelo apoio que deu tanto para a eleição quanto para o governo do atual presidente, que não desfruta da larga simpatia dos cearenses.

A opinião do autor não reflete a opinião do Focus*

Ricardo Alcântara é publicitário, escritor e colaborador do Focus.

 

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