Os que Explicam e os que Constroem; Por Gera Teixeira

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Inteligência artificial. Foto: Divulgação
Inteligência artificial. Foto: Divulgação

Nunca foi tão fácil parecer especialista. A inteligência artificial, as redes profissionais e a indústria de conteúdo criaram um ambiente onde ideias sofisticadas podem ser produzidas em minutos. Estruturas elegantes, conceitos bem organizados, previsões sobre o futuro do trabalho, tudo aparece diariamente em textos, palestras e apresentações muito bem acabadas.

O problema é que a facilidade de explicar cresceu muito mais rápido do que a disposição de construir.

Vivemos um tempo em que há mais pessoas falando sobre o futuro do que realmente trabalhando para criá-lo. O resultado é uma curiosa inflação de autoridade. Quando todos podem parecer especialistas, a própria ideia de expertise perde densidade.

Isso se torna evidente dentro das organizações. Empresas contratam palestras, consultorias, frameworks sofisticados. Consumem conteúdo estratégico. As equipes saem inspiradas das reuniões, cheias de conceitos novos. Meses depois, porém, pouca coisa mudou. O entusiasmo inicial se dissolve na rotina, e a transformação prometida permanece no campo das intenções.

A razão é simples. Ideias não transformam organizações sozinhas. Experimentos transformam.

Quem realmente constrói sabe que a realidade é menos elegante do que as apresentações. Projetos atrasam, sistemas não se integram como previsto, equipes resistem a mudanças e decisões precisam ser tomadas com informações incompletas. A prática é sempre mais imperfeita do que a teoria.

Por isso, operadores verdadeiros falam com uma honestidade diferente. Eles contam o que deu errado. Explicam onde falharam, o que precisou ser corrigido, quais hipóteses se mostraram equivocadas. Sua autoridade nasce das cicatrizes do processo, não da perfeição das narrativas.

Já o falso especialista costuma viver nas grandes altitudes conceituais. Fala com segurança sobre tendências globais, sobre revoluções tecnológicas e modelos de gestão. Porém, quando se pede detalhes concretos do caminho, fornecedores, prazos, custos, resistências internas, o discurso começa a perder consistência.

Talvez este seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Nunca tivemos tantas interpretações sobre o futuro. E, ao mesmo tempo, nunca foi tão necessário voltar ao gesto simples de construir, testar, corrigir e tentar novamente.

O progresso raramente nasce de quem descreve melhor o mundo que virá.

Ele costuma surgir daqueles que começam, discretamente, a construí-lo.

Gera Teixeira é empresário ítalo-brasileiro com atuação nos setores de construção civil e engenharia de telecomunicações. Graduado em Marketing, com formação executiva pela Fundação Dom Cabral e curso em Inovação pela Wharton School (EUA). Atualmente cursa Pós-graduação em Psicanálise e Contemporaneidade pela PUC. Atuou como jornalista colaborador em veículos de grande circulação no Ceará. Integrou o Comites Italiano Nordeste, órgão representativo vinculado ao Ministério das Relações Exteriores da Itália. Tem participação ativa no associativismo empresarial e sindical.

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