
Pesquisa mostra uma eleição de duas cadeiras com quatro candidaturas competitivas e uma particularidade que pode ser decisiva: Luizianne lidera como primeira opção, enquanto Cid cresce quando o eleitor escolhe o segundo voto.
A corrida pelas duas vagas do Ceará no Senado em 2026 começa a se desenhar como uma eleição de alta competitividade.
Na pesquisa exclusiva Focus Poder + AtlasIntel, Cid Gomes (PSB) aparece com 24,4%, praticamente empatado com Luizianne Lins (Rede), que registra 24,2%. Capitão Wagner (União Brasil) tem 19,1%, e Alcides Fernandes (PL), 15,7%.
Considerando apenas os votos válidos, Cid marca 28,0%, Luizianne 27,8%, Wagner 22,0% e Alcides 18,0%.


A fotografia é clara: não há uma liderança consolidada e quatro nomes estão efetivamente no jogo pelas duas cadeiras.
Dois líderes, dependendo do voto
O dado mais interessante está na diferença entre o primeiro e o segundo voto.
Quando o eleitor aponta sua primeira escolha, Luizianne lidera com 29,3%. Wagner aparece em segundo, com 23,9%, Cid tem 22,4% e Alcides, 14,3%.
Na segunda escolha, porém, Cid assume a dianteira, com 26,4%. Luizianne cai para 19,0%, Alcides aparece com 17,2% e Wagner, com 14,3%.
É uma diferença importante para compreender a eleição. Luizianne tem mais força como voto prioritário. Cid demonstra maior capacidade de ser incorporado à segunda escolha do eleitor.
Essa característica ajuda a explicar o empate entre os dois no resultado consolidado.

A lógica peculiar de uma eleição para duas vagas
Em 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Por isso, a disputa não pode ser analisada apenas pela lógica tradicional de primeiro, segundo e terceiro colocados.
O segundo voto ganha importância própria.
Cid passa de 22,4% no primeiro voto para 26,4% no segundo, enquanto Luizianne cai de 29,3% para 19,0%.
Entre os candidatos da direita ocorre movimento semelhante. Wagner tem 23,9% no primeiro voto e 14,3% no segundo. Alcides vai de 14,3% para 17,2%.
A eleição, portanto, não está organizada apenas em torno de candidaturas. Está também em torno das combinações de voto que cada eleitor poderá fazer.

Cid e Luizianne disputam um território semelhante
Os cruzamentos políticos mostram forte sobreposição entre os eleitorados de Cid e Luizianne.
Entre os eleitores de centro-esquerda, Cid aparece com 40,1% e Luizianne com 44,9%. No eleitorado de esquerda, os dois praticamente empatam: 45,0% para Cid e 44,9% para Luizianne.
Cid, entretanto, apresenta desempenho um pouco mais amplo no centro e na centro-direita.
O dado sugere uma disputa importante pelo eleitorado progressista, mas com perfis que não são exatamente iguais. Luizianne aparece mais associada ao voto prioritário; Cid consegue maior circulação como segunda escolha.

Wagner e Alcides dividem o campo da direita
Na direita, a disputa também está longe de resolvida.
Entre os eleitores que se posicionam à direita, Wagner registra 40,9% e Alcides 40,4%. Na centro-direita, Wagner tem 43,1%, contra 35,4% de Alcides.
O cenário muda pouco no eleitorado de centro, onde Wagner aparece com 42,8% e Alcides com 37,7%.
Wagner, portanto, mantém vantagem no consolidado, mas Alcides demonstra uma capacidade relevante de ocupar o espaço da segunda escolha.
A idade desenha quatro eleitorados
Os recortes por idade também ajudam a entender a disputa.
Cid chega a 33,1% entre os eleitores com 60 anos ou mais, seu melhor resultado. Luizianne tem seu maior índice entre os jovens de 16 a 24 anos, com 30,1%.
Wagner apresenta maior força entre 35 e 44 anos, com 28,6%, enquanto Alcides também atinge seu pico nessa faixa, com 28,4%.
O mapa etário é, portanto, bastante distinto: Cid se destaca entre os mais velhos; Luizianne entre os mais jovens; Wagner e Alcides concentram força sobretudo no eleitorado de 25 a 44 anos.
A geografia também separa os candidatos
Cid apresenta seu melhor resultado em Juazeiro do Norte, com 30,3%, seguido pela região intermediária de Fortaleza, com 26,5%.
Luizianne registra 26,8% na região intermediária de Fortaleza e 26,2% em Juazeiro.
Wagner tem na Capital seu melhor desempenho regional, com 26,0%, enquanto Alcides chega a 23,6% também na Capital.
Os dados apontam para uma distribuição territorial diferente entre os quatro principais candidatos, embora os cruzamentos devam ser lidos como recortes da amostra, e não como pesquisas independentes.
A religião reforça os polos
O recorte religioso evidencia outra divisão.
Entre católicos, Cid aparece com 27,1%, Luizianne com 25,0%, Wagner com 16,5% e Alcides com 12,8%.
Entre evangélicos, o quadro se desloca para a direita: Wagner tem 30,0% e Alcides 27,7%, enquanto Cid registra 14,7% e Luizianne, 16,8%.
É um dos cruzamentos que melhor revela a existência de dois grandes campos eleitorais, ainda que a disputa pelas duas vagas permita combinações entre candidatos de diferentes polos.
A memória de 2022 continua presente
O comportamento do eleitorado de 2022 também aparece de forma bastante marcada.
Entre quem afirma ter votado em Elmano de Freitas no primeiro turno daquele ano, Cid registra 38,4% e Luizianne, 37,2%.
Entre os eleitores de Capitão Wagner em 2022, Wagner chega a 43,1% e Alcides a 39,5%.
Já entre os antigos eleitores de Roberto Cláudio, Alcides registra 32,6% e Wagner, 31,6%.
O padrão mostra que a eleição para o Senado ainda carrega uma forte dimensão de continuidade dos campos políticos construídos em 2022.
Lula e Bolsonaro reproduzem a divisão
A mesma lógica aparece quando a pesquisa cruza os atuais candidatos com o voto presidencial de 2022.
Entre os eleitores que dizem ter votado em Lula no segundo turno, Luizianne tem 36,2% e Cid, 35,5%.
Entre os que votaram em Bolsonaro, Wagner registra 44,6% e Alcides, 44,3%.
É praticamente um espelho dos dois campos políticos.
Isso não significa que 2022 será automaticamente reproduzido em 2026, mas indica que a identidade política continua sendo uma variável central na disputa pelo Senado.
Ainda há espaço para mudança
No resultado consolidado, 8,0% não sabem em quem votar e 4,9% indicam branco ou nulo. São 12,9% que não estão hoje atribuídos a um candidato.
A indefinição é ainda maior no segundo voto: 9,7% não sabem e 6,9% indicam branco ou nulo.
Esse é um dado especialmente relevante.
O segundo voto aparece como o espaço mais fluido da eleição e pode ganhar peso à medida que alianças, campanhas e estratégias eleitorais tornem mais clara a composição das duas escolhas.
O jogo está abertoA
A pesquisa não aponta apenas quem está na frente. Ela revela como a eleição está estruturada.
Cid e Luizianne disputam a liderança no campo progressista. Wagner e Alcides dividem o eleitorado de direita. Mas a dinâmica do segundo voto impede uma leitura simples da corrida.
Hoje, o consolidado apresenta:
Cid Gomes: 24,4%
Luizianne Lins: 24,2%
Capitão Wagner: 19,1%
Alcides Fernandes: 15,7%
A distância de apenas 0,2 ponto entre Cid e Luizianne é o dado mais evidente. Mas talvez não seja o mais importante.
O fator decisivo pode estar justamente nos eleitores que ainda não transformaram sua segunda escolha em voto definido.
Para o Senado, a eleição cearense começa com quatro nomes competitivos e duas vagas. A disputa não está resolvida nem no topo nem na definição das duas cadeiras.






