
A União Europeia (UE) suspende a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina, ovos, carne de frango e outras aves provenientes do Brasil. A medida foi tomada após o bloco retirar o país da lista de nações autorizadas a exportar produtos que cumprem as normas europeias sobre o uso de antibióticos na produção pecuária.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento das regras sanitárias. A decisão foi assinada e publicada em junho pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a determinação anunciada pelo bloco em maio.
Apesar das tratativas técnicas e diplomáticas realizadas nos últimos meses, a UE manteve a suspensão. Um porta-voz do bloco afirmou à agência AFP que o Brasil é um parceiro importante e que as exportações poderão ser retomadas assim que o cumprimento das normas for comprovado.
Regras sobre antibióticos
As medidas fazem parte da política europeia de combate à resistência dos microrganismos aos medicamentos. As regras proíbem o uso de antibióticos para estimular o crescimento dos animais e restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos.
A decisão ocorre em meio à pressão do setor europeu após a assinatura, em 1º de maio, do acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Mercado estratégico
A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, especialmente pelo alto valor agregado das exportações e pelo perfil específico dos cortes comercializados. Segundo dados do setor, entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 63,7 mil toneladas de carne bovina para o bloco, movimentando US$ 562,2 milhões.
O preço médio foi de US$ 8.823 por tonelada, alta de 22,8% na receita e de 10,4% no volume em relação ao mesmo período de 2025.
No período, a UE respondeu por 3,24% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil e 4,92% da receita. O bloco ocupou a quarta posição entre os maiores mercados em valor, a sétima em volume e a primeira em preço médio.
Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para a UE cresceram 17% em volume, passando de 110,2 mil para 128,9 mil toneladas. A receita aumentou 18,1%, de US$ 895,7 milhões para US$ 1,058 bilhão.
A suspensão também afeta ovos e mel. Considerando todos os produtos atingidos, o impacto anual estimado pode chegar a cerca de US$ 2 bilhões.
Retomada das exportações
No caso da carne de aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída nesta sexta-feira (4). Se os resultados forem considerados satisfatórios pela UE, as importações brasileiras poderão ser novamente autorizadas ainda neste ano.
Para a carne bovina, porém, a retomada pode demorar mais. Segundo a Comissão Europeia, a duração dos ciclos de produção pode fazer com que a autorização só ocorra em prazo mais longo, podendo chegar a 2028.






