
Lula lidera com 37%, Flávio Bolsonaro chega a 30% e Augusto Cury aparece pela primeira vez como o terceiro nome na corrida, com 10%. O dado muda o desenho da disputa e coloca o escritor no radar de uma eleição ainda marcada pela polarização entre PT e bolsonarismo.
O fato novo
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), encomendada por O Globo e Globo, mostra uma fotografia inédita da sucessão presidencial: Augusto Cury (Avante) já ocupa a terceira posição, com 10% das intenções de voto.
Na simulação sem Pablo Marçal, os números são:
- Lula (PT): 37%
- Flávio Bolsonaro (PL): 29%
- Augusto Cury (Avante): 10%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 1%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Demais candidatos: 0%
- Indecisos: 11%
- Branco/nulo/não vai votar: 7%
No cenário com Pablo Marçal, Lula permanece com 37%, Flávio vai a 30% e Cury mantém 10%. Marçal aparece com apenas 1%.
A ascensão de Cury
O principal dado político da pesquisa não está apenas na liderança de Lula, mas na distância que Augusto Cury começa a abrir em relação aos demais candidatos que disputam o espaço fora da polarização tradicional.
Com 10%, Cury está:
- 7 pontos à frente de Renan Santos;
- 9 pontos à frente de Caiado e Zema;
- apenas 19 pontos atrás de Flávio Bolsonaro.
É uma posição relevante para um candidato que, até aqui, não fazia parte do núcleo tradicional da disputa presidencial.
E há um detalhe importante
Na pesquisa espontânea, aquela em que os entrevistados não recebem a lista de candidatos, Cury também aparece em terceiro:
Lula 28% | Flávio 20% | Cury 4%
O dado é importante porque indica que o nome do escritor já começa a existir no eleitorado independentemente da apresentação da lista de candidatos.
Ainda assim, há um enorme espaço de indefinição: 42% não souberam responder na espontânea.
Segundo turno: Cury chega a 34%
A Quaest também testou, pela primeira vez, um segundo turno entre Lula e Augusto Cury.
O resultado:
Lula: 40%
Augusto Cury: 34%
Branco/nulo/não votaria: 21%
Indecisos: 5%
Ou seja: Cury, que marca 10% no primeiro turno, salta para 34% quando colocado diretamente diante de Lula.
É um número que merece atenção porque revela potencial de transferência de votos de outros candidatos para uma alternativa não pertencente aos dois grandes polos.
A polarização segue forte
Apesar do avanço de Cury, a disputa central continua sendo Lula x Flávio Bolsonaro.
No segundo turno:
Lula 42% x Flávio Bolsonaro 41%.
É empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Contra os demais adversários testados, Lula aparece numericamente à frente:
- Lula 42% x Caiado 37%
- Lula 40% x Cury 34%
- Lula 43% x Renan Santos 36%
- Lula 44% x Zema 33%
O que a Quaest está dizendo
A fotografia desta quarta-feira sugere três movimentos simultâneos:
1. Lula mantém a liderança.
O presidente permanece na casa dos 37% no primeiro turno.
1. Flávio consolida o segundo lugar.
Com 29% ou 30%, dependendo do cenário, o senador é o único candidato próximo de Lula.
1. Cury inaugura uma terceira via eleitoralmente relevante.
Com 10%, deixa de ser um nome periférico e passa a disputar o espaço intermediário da eleição.
Por que importa
A eleição começa a ganhar um terceiro personagem.
Cury ainda está distante de Lula e Flávio e precisaria transformar conhecimento de nome em voto consolidado. Mas 10% no primeiro turno e 34% contra Lula no segundo colocam o escritor no centro do debate sobre quem poderá capturar o eleitor que não quer escolher entre PT e bolsonarismo.
E há outro fator: esta é a primeira Quaest realizada depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Portanto, a próxima rodada poderá mostrar se os 10% de Cury representam apenas uma fotografia inicial ou o começo de uma trajetória de crescimento.
Metodologia: Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em todo o Brasil, entre 30 de agosto e 1º de setembro. Margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro TSE: BR-07065/2026.






