
Presidente aparece com 43,4% contra 33,7% de Flávio Bolsonaro. Em eventual 2º turno, vantagem cai para 4,5 pontos; pesquisa mostra país dividido e avaliação negativa do governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à corrida eleitoral de 2026 na liderança, mas sem transformar a vantagem nas intenções de voto em uma posição confortável. Pesquisa Atlas/Bloomberg realizada entre 22 e 27 de julho mostra Lula com 43,4% no primeiro turno, contra 33,7% de Flávio Bolsonaro (PL).
A distância de 9,7 pontos percentuais é significativa, mas diminui consideravelmente quando a disputa é reduzida a dois candidatos. No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, o petista tem 47,1%, contra 42,6% do deputado. A diferença cai para 4,5 pontos.
O dado politicamente mais importante
A pesquisa desenha uma eleição que, neste momento, permanece fortemente concentrada na polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
No primeiro turno, Lula e Flávio somam 77,1% das intenções de voto. Os demais candidatos aparecem muito atrás: Augusto Cury tem 7,8%; Renan Santos, 7,6%; Ronaldo Caiado, 3,3%; Pablo Marçal, 1,1%; e Romeu Zema, 1%.
O resultado reduz, neste cenário, o espaço para uma terceira candidatura capaz de romper a disputa entre os dois principais polos.
A eleição, por enquanto, é menos uma corrida de muitos candidatos do que uma disputa pela consolidação de dois eleitorados.
Lula lidera apesar da avaliação negativa
O principal ponto de vulnerabilidade de Lula aparece na avaliação do governo.
52,9% desaprovam o desempenho do presidente, enquanto 45,4% aprovam. Na avaliação da administração, 51,1% classificam o governo como ruim ou péssimo, contra 37% que o consideram ótimo ou bom. Outros 11,9% dizem que o governo é regular.
Há, portanto, uma contradição eleitoral relevante: Lula lidera a corrida presidencial mesmo atravessando um momento de avaliação negativa de seu governo.
Isso significa que sua vantagem eleitoral não pode ser atribuída simplesmente à satisfação com a administração. A força do eleitorado lulista e a polarização com o bolsonarismo aparecem como elementos centrais do quadro.
Flávio tem força, mas enfrenta alta rejeição
Flávio Bolsonaro aparece com 33,7% no primeiro turno, mas enfrenta um obstáculo importante para ampliar sua votação: a rejeição.
Ele é o candidato com maior índice de rejeição entre os nomes testados. 52,7% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Lula aparece logo atrás, com 52%.
Jair Bolsonaro tem 41,3% de rejeição; Pablo Marçal, 40,1%; Romeu Zema, 33,9%; Ronaldo Caiado, 28,5%; e Augusto Cury, 18,5%.
O dado ajuda a explicar por que a vantagem de Flávio no primeiro turno não se converte, na mesma proporção, em vantagem no segundo.
Segundo turno: vantagem de Lula fica estreita
Nos demais cenários testados, Lula também aparece à frente:
- Lula 46,6% x Ronaldo Caiado 41%
- Lula 47% x Romeu Zema 40,7%
- Lula 47,5% x Renan Santos 26%
- Lula 46,8% x Jair Bolsonaro 44,1%
- Lula 47,1% x Flávio Bolsonaro 42,6%
O cenário contra Jair Bolsonaro é especialmente revelador. A vantagem de Lula seria de apenas 2,7 pontos percentuais.
A conclusão é que a liderança de Lula não significa uma eleição decidida. Quando o eleitor precisa escolher entre apenas dois nomes, o campo oposicionista consegue reduzir substancialmente a distância observada no primeiro turno.
O eleitor teme quase igualmente Lula e Flávio
Outro número reforça a simetria da disputa. Questionados sobre qual resultado eleitoral provocaria maior medo ou preocupação, 46,4% apontaram a reeleição de Lula, enquanto 45,5% citaram a eleição de Flávio Bolsonaro.
Outros 7,9% disseram que os dois resultados os preocupam igualmente.
É um retrato significativo da polarização: o eleitorado está praticamente dividido não apenas sobre quem prefere, mas também sobre quem teme que vença.
Caso Lulinha atinge a imagem do governo
A pesquisa também mede o impacto das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
67,2% afirmam ter acompanhado de perto as investigações, enquanto 29,5% dizem ter ouvido falar, mas conhecer poucos detalhes. Apenas 3,4% afirmam não ter conhecimento do caso.
Quando perguntados se acreditam que Lulinha tentou influenciar decisões do governo para beneficiar empresários, 52,6% respondem que sim. Outros 26,3% dizem que não e 21,1% não sabem.
A pesquisa registra que a defesa de Lulinha nega irregularidades.
O impacto político aparece em outro dado: 55,1% consideram que as investigações afetam diretamente o governo Lula, enquanto 37,9% entendem que o caso é exclusivamente pessoal de Lulinha.
Na avaliação sobre a imagem do governo, 43,4% dizem que o episódio a piora muito e outros 17,3% afirmam que piora um pouco. Somados, são 60,7%.
Ainda assim, há divisão sobre o efeito eleitoral: 36% dizem que a investigação não prejudica a candidatura de Lula, contra 34,8% que acreditam que prejudica muito e 24,6% que dizem que prejudica um pouco.
Eleitorado chega mobilizado
A eleição também começa com um nível elevado de interesse.
50,9% afirmam estar muito animados para participar da eleição presidencial. Outros 17,4% estão mais ou menos animados e 15% se dizem animados.
Apenas 16,6% somam as respostas “nada animado” e “pouco animado”.
A pesquisa mostra ainda uma campanha em que televisão, rádio e redes sociais continuam relevantes. 50% consideram muito importantes as sabatinas individuais com candidatos na TV ou rádio, enquanto 44% atribuem a mesma importância às postagens dos candidatos nas redes sociais. Os debates televisivos aparecem com 36%.
A eleição que os números desenham
O retrato da Atlas/Bloomberg é o de uma eleição aberta, mas fortemente polarizada.
Lula começa na frente e tem uma vantagem expressiva no primeiro turno. Ao mesmo tempo, enfrenta uma desaprovação superior à aprovação e uma avaliação negativa do governo.
Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de reunir mais de um terço do eleitorado, mas começa a corrida com uma rejeição superior a 50%.
O problema de Lula é transformar liderança eleitoral em maioria. O problema de Flávio é transformar oposição a Lula em voto nele.
Essa é a principal equação produzida pela pesquisa.
A vantagem de Lula no primeiro turno é confortável. No segundo, porém, torna-se estreita. Como os dois principais candidatos carregam rejeições muito elevadas, a eleição tende a depender da capacidade de cada campo de conquistar o eleitor que hoje rejeita um dos polos ou ainda não está definitivamente vinculado a uma candidatura.
Metodologia
A pesquisa ouviu 5.014 pessoas, por recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), entre 22 e 27 de julho de 2026. A margem de erro informada é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07972/2026.
Em uma frase: Lula larga como favorito, mas os números não autorizam falar em eleição encaminhada — a vantagem de quase 10 pontos no primeiro turno encolhe para menos da metade no confronto direto com Flávio Bolsonaro.






