Focus Colloquium: Lúcio Alcântara revisita legado, critica sucessores, exalta lealdade na política e fala de sua relação com a ditadura

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Ex-governador do Ceará afirma que ruptura ética no pós-Tasso começou com Cid Gomes. Livro busca registrar “a verdade dos fatos”. O ex-governador Lúcio Alcântara (2003–2006) foi o convidado do jornalista Fábio Campos no Focus Colloquium para uma entrevista de balanço histórico, marcada por análises francas, críticas pontuais e confissões de bastidores. Ao lançar um livro sobre sua gestão, Lúcio disse que sua derrota em 2006 gerou a falsa percepção de fracasso administrativo — e que, 17 anos depois, ainda colhe reconhecimento popular.
“A verdade sempre prepondera sobre a narrativa”, afirmou, ao lembrar o acolhimento caloroso que recebeu da população durante a inauguração do novo hospital da Uece. “A única coisa que não fizeram foi me carregar nos braços.”
O que ele disse
•Sobre o legado administrativo: “Preservei tudo que o Tasso fez. Não houve empreguismo, nem promiscuidade entre o público e o privado.”
•Sobre a ruptura com os Ferreira Gomes: “Quem começou a desmanchar esse legado foi o meu sucessor. Fez grandes obras, mas reviveu práticas que já estavam superadas.”
•Sobre a tentativa de impedir sua reeleição: “Queriam que eu não fosse candidato para facilitar acordos políticos. Preferi manter a honra e sair de cabeça erguida.”
•Sobre lealdade política: “José Dirceu me convidou para ir ao PT. Recusei. Seria deslealdade com quem me indicou.”
•Sobre Gonzaga Mota e Tasso Jereissati: “Ambos erraram. Gonzaga rompeu com Virgílio; depois, Tasso não foi leal com Gonzaga. A política exige coerência.”
•Sobre a polarização nacional: “O Brasil vive um tempo de irracionalidade política. Um se alimenta do outro. Falta grandeza.”
•Sobre sua gestão: “Criei o FECOP, o primeiro fundo robusto para combater a pobreza no Ceará. Em quatro anos, foram R$ 600 milhões.”
Sobre sua origem na política durante a ditadura
Lúcio Alcântara não fugiu ao tema sensível de ter sido nomeado prefeito de Fortaleza durante o regime militar. Muito embora não tenha repondidodeforma direta se chegou a ter dramasdeconsciência. Disse nunca ter escondido essa passagem e afirmou que sua postura democrática foi reconhecida até mesmo pela esquerda: “Assumi o Diretório Acadêmico [ainda como estudante de medicina da UFC] com o apoio da esquerda e da direita. Viam em mim alguém confiável, que não delataria ninguém. E assim eu agi.”
Diante da questão, citou seu depoimento em defesa do médico Joaquim Eduardo de Alencar, perseguido na ditadura: “Ele disse que só teve o tratamento dos militares amenizado por causa do meu testemunho.”
Para Lúcio, ser democrata não é questão de partido, mas de formação e índole: “Democracia é uma postura moral. Meu pai já era assim. Lealdade e honra sempre pautaram minha trajetória.”
Veja a entrevista que tem valor histórico

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