Isenção de visto: Brasil e China selam reciprocidade e facilitam entradas e saídas mútuas

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Por que importa

Brasileiros e chineses passam a circular sem visto por até 30 dias entre os dois países. A decisão tem alcance prático imediato, mas carrega um sinal político maior: reciprocidade diplomática em um momento de reposicionamento global.

O que aconteceu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil concederá isenção de vistos de curta duração a cidadãos chineses, em resposta à política já adotada pela China desde 2025 para brasileiros.

A decisão foi comunicada diretamente ao presidente Xi Jinping durante conversa telefônica entre os dois líderes na noite de quinta-feira (22).

Como funciona

  • 📌 Prazo: permanência de até 30 dias sem visto

  • 📌 Quem vale: portadores de passaporte comum

  • 📌 Finalidade: turismo, negócios, visitas, intercâmbio e trânsito

  • 📌 Base: reciprocidade formal entre os dois países

Desde 1º de junho de 2025, brasileiros já estavam incluídos na política unilateral chinesa de isenção, inicialmente válida por um ano e depois estendida até 31 de dezembro de 2026.

Contexto mais amplo

A China ampliou a política de isenção para 45 países, incluindo Argentina, Chile, Peru e Uruguai. Brasil, Argentina e Chile estão entre as cinco maiores economias da América do Sul — um recorte que revela prioridade geopolítica, não apenas turística.

Desde 2024, a maioria dos países europeus, além de Japão e Coreia do Sul, também já não exige visto para entrada na China por curtas estadias.

O pano de fundo político

O telefonema entre Lula e Xi durou cerca de 45 minutos e reforçou a estratégia desenhada após a visita do líder chinês ao Brasil, em novembro de 2024, quando foi lançada a Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil–China — iniciativa que elevou o nível da parceria estratégica.

Segundo o Palácio do Planalto, os presidentes destacaram:

  • sinergias em infraestrutura,

  • transição ecológica,

  • tecnologia e inovação,

  • defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio.

A agência estatal chinesa Xinhua acrescentou que Xi defendeu atuação conjunta do Brasil e da China na proteção dos interesses do Sul Global e no fortalecimento do papel das Nações Unidas diante de um cenário internacional “turbulento”.

Vá mais fundo

A isenção de vistos parece um gesto administrativo simples, mas funciona como atalho diplomático: reduz fricções, estimula negócios, facilita intercâmbio acadêmico e sinaliza alinhamento estratégico — sem passar por tratados complexos ou votações legislativas.

Em tempos de cadeias globais em disputa, a circulação de pessoas virou política externa. E, desta vez, Brasília e Pequim decidiram abrir a porta ao mesmo tempo.

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