
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de março de 2026 revela um quadro politicamente mais complexo do que a leitura imediata sugere. Lula aparece na frente, mas com um governo sob avaliação negativa consistente. A liderança existe, mas não é confortável.
Os números de avaliação são claros. A desaprovação ao presidente está em 53,5%, contra 45,9% de aprovação. Quando se olha a avaliação do governo, 49,8% classificam como ruim ou péssimo, ante 40,6% de ótimo ou bom. É um ambiente adverso que não mostra sinais evidentes de reversão.
Ainda assim, Lula lidera. No principal cenário de 1º turno, registra 45,9%, contra 40,1% de Flávio Bolsonaro. Em outra simulação, aparece com 45,5%, enquanto o adversário marca 42,4%. A diferença é curta e sujeita a oscilação.
O ponto central é a convivência desses dois vetores. O desgaste limita Lula, mas não o derruba. Ele mantém um núcleo eleitoral sólido, porém com dificuldade de expansão.
Nesse cenário, ganha importância o campo fora da polarização. A pesquisa mostra candidaturas de centro e centro-direita com desempenho individual modesto, mas relevante no conjunto. Renan Santos aparece entre 4,4% e 4,6%. Ronaldo Caiado, com cerca de 3,7%. Romeu Zema, entre 3,1% e 3,7%. Eduardo Leite, com 1,2% em um dos cenários.
Somados, esses nomes formam um bloco próximo de dois dígitos. Trata-se de um eleitorado menos ideológico, mais móvel e decisivo em disputas apertadas. É também o segmento que ainda não foi plenamente capturado por nenhum dos polos.
Isso ajuda a explicar por que a desaprovação elevada do governo não se converte automaticamente em vantagem para a oposição. Parte do eleitor insatisfeito permanece fora do campo bolsonarista, aguardando uma alternativa ou avaliando custos e riscos.
O desfecho passa por esse grupo. Se Lula reduzir rejeição e mantiver esse eleitorado dividido, preserva a dianteira. Se a oposição conseguir atrair esse contingente, o desgaste pode virar maioria eleitoral.
A pesquisa foi realizada entre 18 e 23 de março de 2026, com 5.028 entrevistados, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), com margem de erro de ±1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O método busca representar a população adulta brasileira a partir de ponderações por perfil demográfico e comportamento eleitoral.
O retrato é de equilíbrio instável. Lula lidera, mas pressionado. Flávio Bolsonaro se aproxima, mas ainda não ultrapassa. E o centro, mesmo fragmentado, continua sendo o espaço onde a eleição tende a ser decidida.
Veja as principais tabelas da pesquisa













