Mario Pontes, um dicionarista discreto; Por Paulo Elpídio e Menezes Neto

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Começo da Rua da Assembleia, entre a Alerj e o Paço Imperial.

Convivi com Mário Pontes pelos últimos anos da sua vida. Encontrávamos-nos com frequência na rua da Assembleia, no centro do Rio de Janeiro, em almoços intermináveis, e por serem assim, em constantes reincidências, tornaram-se pretextos para novos encontros.

O “Jornal do Brasil”, por esse tempo, quando já era “JB” no tratamento afetivo dos seus leitores, encerrara as suas portas, abertas pelo conde Pereira Carneiro. Mário Pontes encerrara o Suplemento Literário que dirigiu por tantos anos. O silêncio do “suplemento” deixara os leitores desamparados. A literatura foi sendo banida das folhas, os espaços que lhe eram antes reservados, foram preenchidos, pouco a pouco, por trivialidades, Mário, jornalista de profissão, secretário e editor de O Estado, sob a batuta de um escritor, Fran Martins, diretor de um jornal criado por um advogado de notória expressão jurídica — Martins Rodrigues. Por esse tempo, as redações eram apinhadas de intelectuais. Mário Pontes lutava por aceitar, relutante, a própria aposentadoria.

Nessas conversas, das quais brotavam reminiscências perdidas, memória das ideias mal-tratadas entre tipos móveis de caixa, dissimuladas, desaparecidas entre linotipos escondidas, Mário era um “dicionarista” a seu modo, sem exibições, um colecionador de palavras, apascentador prudente de advérbios e adjetivos. Dispunha com discrição os dicionários, amarelados pelo uso, em estado de alerta para as suas incursões habituais. Lia-os por hábito e gosto; consultava-os por impulsos que mal continha nos seus exercícios perdulários de leitura.

Ganhei a amizade de Mário em Fortaleza, na rua senador Pompeu, espécie de “Times Square”, na qual se haviam instalado seis jornais diários: a Gazeta de Notícias, O Democrata, O Estado, o Unitário e o Correio do Ceará, e O Povo… Perdi a simpatia, o valor da sua presença e a postura branda e cordial —- no Rio de Janeiro.

De repente, faltou-me a presença constante do amigo. Vim saber por alguns poucos registros de amigos que Mário partira, assim me garantiu Goeble Weyne, outro cearense homiziado à sombra da diáspora cearense em terras cariocas, como eu próprio fui, por muitos anos.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Fortaleza domina Enem 2025: capital ocupa as 3 primeiras posições do BR e tem 4 escolas entre as 10 melhores

Ibmec chega a Fortaleza e firma Ceará como polo nacional de educação, inovação e negócios

Pesquisa Atlasintel Piauí 2026: eleição praticamente resolvida a favor do PT

Pesquisa Focus Poder/Atlasintel explica decisão de Ciro e PSDB de manter distância de Flávio

PSD dos “Domingos” leva Comissão de Orçamento do Congresso e reforça musculatura para a vice no Ceará

Focus/Atlasintel: Lula abre larga vantagem no Ceará e reforça ativo eleitoral de Elmano para 2026

Pesquisa Focus/Atlas para o Senado Ceará: Cenários embolados com Cid favorito; sem sua candidatura, Luizianne salta

Pesquisa Focus Poder + Atlasintel: Ciro e Elmano empatam na corrida ao Governo

UFC entra no Top 15 nacional de patentes e reforça posição como polo de inovação

Governo do Ceará: Pesquisa Focus Poder/AtlasIntel será divulgada nesta segunda-feira

PIX vira vitrine global: fundador do Web Summit diz que sistema brasileiro “destrói monopólios” e inspira o mundo

Em meio à batalha judicial, Eneva e Diamante iniciam investimento de R$ 6 bi em energia e infraestrutura no Pecém

MAIS LIDAS DO DIA

Fortaleza tem valorização imobiliária acima da inflação; metro quadrado chega a R$ 8,5 mil

Turistas estrangeiros gastam R$ 25 bilhões no Brasil e batem recorde até maio

Banco Central liquida Sefer Investimentos após rombo de R$ 25 milhões ligado ao Banco Master

Morre Oto de Sá Cavalcante, um dos principais nomes da educação no Ceará

Oto de Sá Cavalcante, educador que ajudou a transformar o Ceará em referência nacional de ensino, morre aos 80 anos