Nova Transnordestina prevê seis terminais de carga no Ceará

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Trecho da Transnordestina. Foto: Divulgação

O fato:
O Ceará deverá concentrar seis dos dez terminais de carga previstos no traçado da nova Ferrovia Transnordestina, projeto considerado estratégico para o escoamento de mercadorias no Nordeste. Os equipamentos logísticos estarão distribuídos em municípios cearenses e integram o redesenho da infraestrutura de transporte associado à execução da ferrovia.

De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), os terminais no Ceará ficarão localizados em Maranguape, Quixadá, Quixeramobim, Iguatu e Missão Velha, além do terminal de cargas do Porto do Pecém, que permitirá a conexão entre as malhas da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) e da Transnordestina Logística S.A. (TLSA).

Ao todo, a concessionária TLSA planeja implantar dez terminais ao longo do corredor ferroviário. Além dos seis no Ceará, estão previstos dois terminais em Pernambuco, nos municípios de Salgueiro e Trindade, e dois no Piauí, em Bela Vista e Eliseu Martins.

Contexto:
Os pontos escolhidos para a implantação dos terminais foram definidos há cerca de dois anos, a partir de estudos conduzidos pela TLSA em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Desde então, vêm sendo realizados levantamentos técnicos para subsidiar os projetos executivos e avaliar a viabilidade operacional das estruturas.

Entre os equipamentos planejados no Ceará, o terminal de Maranguape é apontado como um dos principais polos logísticos do projeto. Segundo o coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Fiec, Heitor Studart, o equipamento é considerado uma das “duas grandes joias da coroa” do ramal ferroviário, ao lado do Nelog, no Porto do Pecém.

A localização estratégica de Maranguape permite a conexão direta da ferrovia com importantes rodovias federais, como as BRs 116, 020 e 222, por meio do Anel Viário e da CE-455, consolidando o município como ponto de integração entre os modais rodoviário e ferroviário na Região Metropolitana de Fortaleza.

Função logística e impactos econômicos:
O projeto prevê que o terminal de Maranguape vá além do simples transbordo de cargas, contando com estrutura para armazenagem, consolidação, movimentação e desembaraço aduaneiro. A proposta é que o equipamento funcione como retroárea do Porto do Pecém, ampliando a eficiência logística do complexo portuário.

De acordo com a Fiec, a redução do custo do frete deverá ter impacto direto no preço final dos produtos e na competitividade da indústria cearense. A expectativa é que o terminal também atraia novos empreendimentos, como estruturas de tancagem, armazenagem de grãos, centros de distribuição e mini data centers, impulsionados pela concentração de cerca de 90% do parque industrial do Estado na Região Metropolitana de Fortaleza.

Os valores de investimento não foram divulgados, por se tratar de um projeto privado. A previsão é que o terminal de Maranguape seja concluído até 2027, acompanhando o encerramento da primeira fase da Transnordestina.

Interior também avança:
Entre os demais terminais cearenses, Iguatu aparece como um dos mais avançados, com obras já em execução pela iniciativa privada. O equipamento deverá atuar como centro de recepção de grãos e combustíveis, atendendo o Sertão Central e o Sul do Estado.

Em Missão Velha, a vocação logística estará associada à fruticultura e à mineração. Já os terminais de Quixadá e Quixeramobim devem desempenhar papel estratégico no escoamento de grãos, com foco no abastecimento da principal bacia leiteira do Ceará.

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