O capital político de André Fernandes e a oposição em 2026; Por Ricardo Alcântara

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O trio fez o primeiro ensaio de aliança no segundo turno de Fortaleza.

A ideia era demarcar espaço. Dar a conhecimento público que ainda respiram, embora com dificuldade. Então, a oposição do Ceará alugou um fusca e foram todos para uma foto na Alece.

Todos, não. André Fernandes declinou do convite e pregou aviso: o bolsonarismo puro sangue do Ceará não pretende se diluir nessa geleia institucionalizada que coleciona derrotas em sequência.

Um deputado federal muito empenhado naquele exercício de resiliência desancou de público seu colega de parlamento ao alegar que André age assim por pensar somente em seus próprios interesses.

Pois, em verdade, vos digo: o ex-candidato do PL à prefeitura de Fortaleza está certo em não diluir seu capital político, acumulado na recente eleição municipal, em um projeto com tão modestas chances de êxito.

Sim. Apenas um acidente de impacto geológico seria capaz de fracionar a ampla coligação partidária já montada para reeleger o governador Elmano de Freitas em 2026 e sua base de 9 em cada 10 prefeitos recém eleitos.

Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (UB) chegam ao novo ato como representantes de agrupamentos que não conseguiram, juntos, ultrapassar 20% dos eleitores na capital, ao contrário de André Fernandes e seus robustos 49 (vírgula alguma coisa) por cento de votos.

Se pretendem com isso algo mais do que se manter à tona, sem contudo almejar a crista da onda, conspiram contra a realidade e o jovem deputado bolsonarista não deveria mesmo compartilhar a falsa alegria daquela foto, de resto abraço de afogados.

André Fernandes será candidato a um novo mandato de deputado federal no próximo ano e deverá concorrer novamente à prefeitura da capital em 2028. Este é o plano. Até lá, deverá preservar seus discurso fake, de liderança anti sistema, e manter a postura simulada de um outsider.

Quem queria, com sua participação, agregar valor à aliança de Roberto Cláudio com Capitão Wagner e o tucanato em estado terminal agora sabe: o ex-instrutor de depilação pode ter muitos defeitos, mas tolo ele não é. E mais: quem o apoiou no segundo turno acreditando nisso estava muito mal orientado.

Ricardo Alcântara é escritor, publicitário, profissional do marketing político e articulista do Focus Poder.

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