O estilo Evandro; Por Ricardo Alcântara

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Nos primeiros dias de gestão, o prefeito de Fortaleza dedicou boa parte de sua agenda às ruas.

Até o final do terceiro ano de gestão de José Sarto, a pergunta que se ouvia pela cidade agora era a mesma: “Cadê o prefeito?”. Enquanto a oposição o cobrava, os áulicos se valiam da argumentação condescendente de natureza particular. “Problemas pessoais”, murmurava-se nos bastidores.

À ausência prolongada, Sarto, já então candidato, ainda tentou compensar o déficit com o apelo exótico ao uso de um óculos esportivo em sua propaganda eleitoral, no esforço vão de imprimir uma imagem pessoal marcante. A peça de design jovial e arrojado, posta sobre uma cabeleira de fios brancos de um homem maduro, virou motivo de piada.

Agora, logo nos primeiros dias de seu mandato, Evandro Leitão faz um movimento de contraponto, se mostrando presente em áreas da cidade com problemas sensíveis e registrando sua agenda de rua nas redes sociais com grande evidência. “Habemus prefeito”, eis a mensagem.

É promissor observar a disposição do novo prefeito. Além de se mostrar acessível ao contato direto com as pessoas comuns, transmite boa disposição para cumprir suas tarefas, e todo patrão – o povo, no caso dele – aprecia esse tipo de atitude que no manual do empreendedorismo é definido como “capacidade de iniciativa”.

Mas esse disco tem lado B: com uma agenda de rua intensa, as expectativas tendem a se ampliar e, quando não atendidas, são a ante sala das decepções. A grande exposição, na perspectiva da construção de imagem, conflitaria com o discurso momentâneo de austeridade e contenção, se aplicado sem moderação.

Uma regrinha básica recomenda ao mandatário: se for para dizer “não” e mostrar mãos vazias, que mande emissários. Isto é, seja portador somente das boas notícias. Imprima na memória coletiva o gatilho de que sua presença é sinal positivo. E já que estamos tratando da prefeitura de Fortaleza, um camisa 10 que sabia jogar muito bem nessa posição era Juraci Magalhães – homem de modos simples, mas de aguçada sagacidade.

Aproveite bem, o prefeito Evandro, a fase lua de mel que terá curta duração: o inverno já expõe à buraqueira a lâmina fina de asfalto que reveste as vias de tráfego – um fator sensível de insatisfação frequente – e as deficiências crônicas de drenagem. A celeridade na recuperação dos estragos – já acumulados aos do inverno anterior, será seu primeiro teste de percepção social.

Evandro é pessoa afável, de fácil querer bem, e tem potencial para construir uma relação de forte empatia no trato direto com os usuários dos serviços sob responsabilidade do executivo municipal. Até aqui, tudo que fez, fez bem feito. Mas sabe que simpatia só paga a primeira parcela do carnê. Da segunda em diante, e por 47 meses, a cidade espera entregas.

 

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