A guerra cultural e política em torno de Erika Hilton

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Na semana que se encerra nesta sexta tivemos: o sorteio de Dias Toffoli como relator do pedido da CPI do Banco Master (para a qual ele renunciou); e a publicação de pesquisas (DataFolha e Genial Quaest) que mostram um cenário cada vez mais preocupante para a reeleição de Lula, cujo governo vai amargando índices elevados de desaprovação, e a possível consolidação de Flávio Bolsonaro como oponente de peso.

Os dois fatos deveriam ter ocupado consideravelmente o agendamento política, seja por meio da mídia seja por meio da atuação do próprio campo política. Mas, passaram quase que despercebidos.

O que ocupou parte considerável das discussões política (nos espaços de poder institucional, na imprensa e nas redes) foi a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos deputados.

Possibilitada pelo acordo partidário, desde a semana passada parlamentares da (extrema)direita manifestavam-se como contrários à indicação de uma mulher trans (alguns falavam de “travesti” ou mesmo “homem”) para presidir a referida Comissão.

Registre-se que os grandes partidos, quando da divisão das presidências, pouco ou nenhum interesse manifestaram na Comissão.

Na quarta-feira (11/03) deu-se a eleição. Não sem polêmica; na verdade, antecedida por polêmicas mobilizadas na redes.  No primeiro turno, foram 12 votos contrários e apenas 10 favoráveis. A oposição foi contra a realização de um segundo turno, alegando que a maioria absoluta manifestara-se como contrária ao nome de Hilton. Realizou-se, sob protestos, um novo escrutínio. A oposição perdeu um voto, ficando o placar em 11 a 10.

Erika Hilton foi eleita.

Empossada, discursou repudiando o que taxou como transfobia e discurso de ódio. Mas ali estavam, além de deputados do mais abjeto reacionarismo bolsonárico, duas deputadas que, além de serem mulheres, dialogam abertamente com bases religiosas: Clarissa Tércio (PP-PE), evangélica da Assembleia de Deus, e Cris Tonieto (PL-RJ), ligada ao ultradicionalista Centro Dom Bosco. Católicos e evangélicos, a maioria religiosa do país.

As deputadas, e seus colegas de espectro ideológico, prometeram não dar vida fácil à presidente.

Todas, todos e todes rumaram às redes, cada um/uma/ume comprometido em atiçar suas bases.

À noite, o apresentador Ratinho entrou na onda e se pronunciou contra a eleição de um “homem”. Mais ingredientes para a guerra cultural. Hilton pede sua prisão e indenização de milhões de reais.

A extrema-direita surfou na onda: vídeos aos montes passaram a circular, consternados com a eleição de alguém que “não sabe o que é ser mãe, não vai ao ginecologista, não tem endometriose“, dentre outros argumentos, para presidir Comissão que decidirá a vida das mulheres.

Parlamentares cearenses, e postulantes ao Parlamento, também entraram na guerra cultural.

Uma boa distração? Talvez. Contudo, a mensagem é clara: “vejam o que a esquerda faz com as mulheres, até tirá-las dos postos de poder“.

Tendo de defender Erika, e de se defender (defendendo a agenda trans, ou defendo que mulher trans é mulher), a esquerda deixará para a (extrema)direita a discussão daquilo que assola o brasileiro, com destaque para a insegurança.

Enquanto isso, ao que parece, Erika terá de conviver, a cada sessão, sob ações e gritos de colegas que lhe dirão acerca de sua presença como presidente: “não tolerarei!”.

Obs: será o fato nossa “mamadeira” de 2026?

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