PCC vira multinacional do crime e expande poder global, diz Wall Street Journal

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Fac-símile da capa do jornal norte-americano.

Uma reportagem do Wall Street Journal, publicada no último domingo, descreve a transformação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um dos principais atores do narcotráfico internacional. O grupo, que nasceu no sistema prisional paulista após o Massacre do Carandiru, deixou de ser uma organização doméstica para operar como uma rede global com estrutura comparável à de uma corporação.

O avanço se apoia, sobretudo, no controle logístico. O Porto de Santos se consolidou como principal porta de saída da cocaína rumo à Europa, com uso de métodos sofisticados como o “rip-on/rip-off”, em que a droga é inserida em contêineres legais sem conhecimento dos exportadores. A operação também se espalha por outros portos, incluindo o Nordeste e o Porto de Paranaguá, explorando brechas de fiscalização.

A internacionalização ganhou escala com alianças estratégicas, especialmente com a ‘Ndrangheta. Nesse arranjo, o PCC atua como fornecedor em larga escala, enquanto a distribuição na Europa fica a cargo do grupo italiano. A diferença de preços explica a engrenagem: a cocaína comprada por poucos milhares de dólares na origem pode alcançar valores até dez vezes maiores no mercado europeu.

A reportagem destaca ainda a consolidação de rotas pela África Ocidental, com passagem por Guiné-Bissau e Cabo Verde, antes da entrada no continente europeu, especialmente por Portugal. Esses pontos funcionam como entrepostos logísticos e financeiros, aproveitando conexões históricas e comerciais.

Internamente, o PCC opera com estrutura descentralizada, organizada em “sintonias”, que coordenam desde a expansão territorial até a gestão financeira. O uso de criptomoedas, a contratação de hackers para manipulação de sistemas portuários e até mergulhadores para acoplar cargas em navios indicam um nível elevado de profissionalização.

O modelo, segundo o jornal, se aproxima de uma “franquia”, em que integrantes seguem regras comuns, mas mantêm autonomia operacional. Essa flexibilidade tem impulsionado a rápida expansão internacional e dificultado a ação de autoridades.

Os efeitos já são visíveis fora do Brasil. Países como Paraguai e Equador registram aumento da violência associado à disputa por rotas ligadas ao grupo. Ao mesmo tempo, o controle estatal enfrenta limites, já que lideranças continuam coordenando operações mesmo a partir de presídios de segurança máxima.

O diagnóstico do Wall Street Journal é direto: o PCC deixou de ser uma facção nacional para se tornar um agente relevante no crime organizado global, com capacidade de influenciar fluxos internacionais de drogas e desafiar estruturas tradicionais de segurança.

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