Recomposição do FGC após caso Banco Master custará mais de R$ 5 bilhões ao Banco do Brasil

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Edifício sede do Banco do Brasil, em Brasília.

O fato: A recomposição do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação do Banco Master deve custar mais de R$ 5 bilhões ao Banco do Brasil. A informação foi confirmada pelo diretor financeiro da instituição, Geovanne Tobias, ao comentar os resultados do banco em 2025.

Segundo o executivo, foi decidida a antecipação de cinco anos de contribuição ao FGC, o que representa cerca de R$ 5 bilhões para o BB. Além disso, haverá um aumento extraordinário de 50% na contribuição, elevando as despesas financeiras em aproximadamente R$ 450 milhões a R$ 500 milhões.

Tobias destacou que o adiantamento terá impacto patrimonial, já que o valor sairá da tesouraria do banco, reduzindo ganhos financeiros atrelados à Selic. Apesar disso, defendeu a recapitalização do fundo. “Estamos abrindo mão de receita, é fato. E o regulador está ciente disso”, afirmou.

A estimativa é que o caso do Banco Master consuma cerca de R$ 40 bilhões do FGC. Com a liquidação do Will Bank, no último dia 21, a conta pode aumentar em R$ 6,3 bilhões. Em novembro de 2025, o fundo acumulava cerca de R$ 125 bilhões, o que deixaria aproximadamente R$ 78 bilhões disponíveis após as coberturas previstas.

Discussão sobre compulsórios: Para reduzir o impacto sobre os bancos, instituições financeiras discutem com o Banco Central a possibilidade de liberação de parte dos depósitos compulsórios, valores que os bancos são obrigados a manter no BC. Tobias ressaltou, porém, que a decisão cabe exclusivamente ao regulador.

O debate sobre mudanças nas regras do FGC, incluindo maior contribuição de instituições mais alavancadas e dependentes de instrumentos garantidos como CDBs, deve avançar ao longo de 2026, com previsão de atualização no segundo semestre.

Balanço do Banco do Brasil: O Banco do Brasil encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, queda de 45,4% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões, recuo anual de 40%, mas alta de 51,7% frente ao trimestre anterior.

O desempenho foi impactado pela inadimplência no agronegócio. Segundo a presidente do banco, Tarciana Medeiros, o atraso de clientes rurais cresceu 500% em relação à média histórica em 2025. Ainda assim, 94% da carteira agro permanece adimplente, segundo a executiva.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RSPL) caiu de 21,4% para 11,4% em um ano.

Raio-X | Banco do Brasil em 2025
Fundação: 1808
Lucro: R$ 20,7 bilhões
Agências: 3.955
Funcionários: 85.206
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal

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