Custo da construção civil no Ceará sobe 1,49% em janeiro e pressiona setor em 2026

COMPARTILHE A NOTÍCIA

O fato: O custo da construção civil no Ceará iniciou 2026 em trajetória de alta. Em janeiro, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou variação de 1,49% no Estado, indicando aceleração frente aos meses anteriores.

Com o resultado, o custo médio do metro quadrado passou de R$ 1.789,14, em dezembro, para R$ 1.815,87 no primeiro mês do ano, elevando o patamar de despesas para novas obras e empreendimentos em andamento.

Composição dos custos: Do total registrado em janeiro, R$ 1.104,33 correspondem aos materiais de construção e R$ 711,54 à mão de obra. O dado evidencia o peso significativo dos custos trabalhistas na estrutura das obras, especialmente em projetos com maior intensidade de serviços.

No acumulado dos últimos 12 meses, o índice no Ceará chegou a 7,64%, percentual superior à média nacional, ampliando a pressão sobre o caixa das construtoras e exigindo maior rigor no planejamento financeiro e na formação de preços.

Movimento regional: O desempenho acompanha a tendência observada no Nordeste, que apresentou a maior variação entre as grandes regiões do País em janeiro, com alta de 1,85%. Todos os estados nordestinos registraram elevação no período. O Piauí liderou o ranking mensal, com avanço de 4,12%, influenciado por reajustes decorrentes de acordos coletivos e pela alta nos custos de materiais.

Impacto da reoneração: Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias de Sousa, o resultado já reflete os efeitos da reoneração da folha de pagamento.

Segundo ele, por se tratar de uma atividade intensiva em mão de obra, qualquer aumento na carga tributária sobre a folha tem impacto direto no orçamento das empresas, pressionando margens e exigindo ajustes nos planejamentos financeiros. Na prática, isso pode significar elevação do custo final das obras e maior cautela em projetos de médio e longo prazo.

O dirigente também alerta para possíveis reflexos no mercado imobiliário ao longo de 2026, com tendência de repasse parcial dos custos ao consumidor e revisão de margens e cronogramas por parte das empresas.

Cenário nacional: No Brasil, o Sinapi avançou 1,54% em janeiro, acelerando frente aos 0,51% registrados em dezembro de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 6,71%, acima dos 5,63% observados no período anterior.

A alta foi puxada principalmente pela mão de obra, que subiu 3,22% no mês, enquanto os materiais variaram 0,27%, praticamente repetindo o resultado de dezembro. De acordo com o IBGE, o avanço do custo do trabalho também está associado à reoneração da folha de pagamento no setor.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Vorcaro teve prisão decretada em 2020, mas instituições falharam e a porta se abriu para os crimes em série

Apostas bilionárias e suspeitas antecipam ataque dos EUA ao Irã

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Freio de arrumação no governismo do Ceará: ambições e a difícil engenharia da chapa de 2026

MP dos datacenters caduca e ameaça planos no Ceará, incluindo planos do projeto de R$ 200 bi no Pecém

Camilo, a missão, o ruído e o desconforto de Elmano

TikTok e Omnia contestam laudo do MPF sobre Datacenter de R$ 200 no Pecém

Do jeito que vai, eleição presidencial vai ser decidida pelo eleitor “nem-nem”

A política de segurança, a lógica do crime e os gigolôs da violência

PPP do Esgoto no Ceará: R$ 7 bilhões para universalizar saneamento em 127 cidades

Genial/Quaest: Lula segue com desaprovação maior que aprovação e perde fôlego entre independentes

Lula lidera, mas Flávio encosta e vira principal rival, aponta Genial/Quaest; Polarização se mantém

MAIS LIDAS DO DIA

Procon multa Fraport em R$ 3,1 milhões por falta de cadeiras no Aeroporto de Fortaleza

Paulo Câmara retorna à presidência do Banco do Nordeste após período de quarentena previsto em lei

Rio de Janeiro - Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Lucro da Petrobras cresce quase 200% e chega a R$ 110,6 bilhões em 2025