2026 repetirá 1986 e 2006? Por Emanuel Freitas

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“Santinho” da chapa que tinha Adauto Bezerra como cadidato a governador. Começou como franco favorito, mas oi atroplado pelo então jovem Tasso Jereissati, que encarnou a ideia do novo.

Pode ser coincidência de calendário político. Desde a redemocratização, esta será a terceira eleição estadual realizada em ano terminado em 6. As duas anteriores foram em 1986 e 2006. Fazem, portanto, 40 e 20 anos, respectivamente. O que nelas ocorreu?

Em 1986, Tasso Jereissati chegou ao poder, implantando a famigerada gestão empresarial na máquina pública e inaugurando um longevo ciclo político sob sua batuta e do PSDB, que elegeu senadores e governou o Ceará até 2006, quando Lúcio Alcântara foi derrotado por Cid Gomes, que iniciou um “novo” longevo ciclo político, que se estende até hoje (incluindo a eleição de Elmano como aliado de Camilo, eleito com o apoio de Cid).

Ali, as forças governistas dos “três coronéis”, que buscavam sobreviver politicamente após a gestão desgastada de Gonzaga Mota, disputaram a eleição com o nome de Adauto Bezerra, que já havia governado o Ceará; sua candidatura amargou o cansaço do regime militar e o desgaste de décadas de seu grupo à frente do estado. Além disso, o então PFL estava à sombra das “forças do atraso” que buscavam superar. Tasso, o “príncipe da modernidade”, venceu com quase o dobro dos votos (61 a 35%).

Vinte anos depois foi a vez de Lúcio Alcântara, candidato à reeleição pelo PSDB, carregar o peso de duas décadas de gestões do grupo e sofrer duras defecções governistas, com destaque à do próprio Tasso, que esvaziou sua campanha após queixas de “traição”. Ainda no primeiro turno, foi derrotado por Cid Gomes quase que com a mesma diferença de Adauto contra Tasso (62 a 34%).

Hoje (2026) temos um quadro que aponta semelhanças com os cenários de 1986 e 2006: uma longa temporalidade política (12 anos de PT à frente do Abolição), acompanhada do natural “cansaço”; forças oposicionistas movimentando-se com tenacidade (no ano de 2025, qual notícia foi produzida pelo campo governista?); possibilidades abertas de defecções governistas, especialmente do lado dos Ferreira Gomes (vide as entrevistas reveladora de Ivo Gomes na semana que passou, repetindo movimentos de rompimentos políticos da família com Lúcio, Tasso e Luizianne); um problema estrutural a resolver (em 86 e 2006, economia; agora, a segurança).

Emanuel Freitas da Silva é articulista do Focus Poder, professor adjunto de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

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