8 de setembro. Por Igor Lucena

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Articulista do Focus, Igor Macedo de Lucena é economista e empresário. Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs  e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.

Anualmente, a data mais importante que comemoramos como nação é o 7 de Setembro, isso devido à sua importância para a firmação da nossa independência e como sendo considerado um marco civilizatório para os brasileiros. O 7, ressalte-se, é sempre mais importante que o 8 sob o ponto de vista histórico. Entretanto, em 2021 o 8 de Setembro foi mais importante que o dia 7, alinhando-os com os princípios básicos da matemática.

Após a manifestação do 199º (Centésimo nonagésimo nono) ano da nossa independência, marcada por conflitos entre os Poderes da República e principalmente com declarações de todos os tipos por partes dos manifestantes, desde apoio ao presidente Bolsonaro até a solicitação de Impeachment dos ministros do STF, foi uma surpresa a todos quando se viu ter início uma greve dos caminhoneiros ao longo das rodovias federais.

Logo ao amanhecer do dia 8 acompanhamos a chegada o ex-presidente Michel Temer ao Palácio do Planalto, em primeiro lugar para ajudar a debelar sobre a crise dos caminhoneiros; em segundo lugar, principalmente para formular uma Carta Aberta à Nação e aos três Poderes da República, em tom sereno, cordial e principalmente republicano.

Após a divulgação da carta pelo próprio presidente Bolsonaro, que foi considerada por muitos dos seus apoiadores mais radicais como algo desnecessário, assistimos à bolsa subir forte nos dois dias seguintes; o Dólar começou a mostrar queda ao longo do pregão e muitos dos agentes políticos e econômicos começaram a ter uma nova visão, a de que o governo poderia adotar desde agora uma linha de Centro, ‘com o Bolsonaro ao Centro’.

Esse foi e é uma das apostas para que possamos todos sair dessa crise institucional que tem assolado o país desnecessariamente nos últimos meses, principalmente agora que a pandemia começa a diminuir e quando o Brasil esboça um momento de retomada. Vale lembrar que ainda estamos passando por um momento de elevada inflação e que existe uma crise elétrica bem aí na esquina, o que faz com que tudo isso ameace nossos planos de retomada econômica e de diminuição do desemprego.

É importante lembrar ainda que a China, a União Europeia e os Estados Unidos já iniciaram seus planos de investimentos para a retomada, o que deverá injetar trilhões de dólares na economia mundial e ao mesmo tempo gerar demandas de produtos que o Brasil exporta como aço e ferro, entre outros. Por tal razão, não podemos deixar o “bonde passar” enquanto crises internas sem sentido e com delírios de golpes de Estado por parte de entusiastas da ditadura de Whatsapp apenas prejudicam a nação.

O Brasil real, a economia real e a administração pública real precisam de um governo de Centro que entenda as necessidades reais da população para que possa responder à altura contra abusos e solucionar quaisquer problemas que venham a surgir; caso contrário, não haverá chance para um segundo mandato. O Brasil hoje está à beira de um precipício sob o ponto de vista político e econômico, entretanto temos fundamentos fortes o suficiente para mudar esse curso e acompanhar a retomada mundial nos próximos meses, evitando qualquer possibilidade de um colapso econômico.

Cabe a todos nós, como sociedade civil organizada, cobrar do governo ações práticas e urgentes para a retomada econômica do país imediatamente e mostrar que a radicalização não nos leva a lugar algum, pois apenas com diálogo e projetos audaciosos avançaremos rumo a um próspero e fortalecido Brasil no século XXI. Isso é o que todos nós queremos para o país!

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