
Cid Gomes acaba de conquistar mais um mandato no Senado. Mas a eleição deste domingo deixa para ele um papel que vai muito além de uma cadeira em Brasília: Cid emerge como um dos principais articuladores do novo mapa político do Ceará.
A trajetória ajuda a explicar o tamanho desse papel.
Engenheiro civil formado pela UFC, filho de professores, Cid começou cedo na política. Foi deputado estadual, prefeito de Sobral por dois mandatos, governador do Ceará por dois mandatos, ministro da Educação e senador.
É uma carreira construída em diferentes posições do poder — e, sobretudo, na capacidade de fazer alianças.
Como prefeito de Sobral, consolidou uma experiência administrativa que ganhou projeção nacional na educação. Como governador, ampliou essa agenda para o Estado e conduziu projetos em áreas como educação, infraestrutura, recursos hídricos e desenvolvimento. O PAIC, as escolas profissionais, o Cinturão das Águas, o Pecém e o Cinturão Digital estão entre as marcas associadas às suas administrações.
Mas 2026 colocou Cid diante de uma circunstância diferente.
A política cearense chegou às urnas com os Ferreira Gomes divididos. Cid e Ciro, irmãos que durante décadas percorreram juntos a política do Ceará, terminaram em campos opostos. O rompimento, consolidado desde 2022, ganhou dimensão eleitoral nesta disputa.
Cid escolheu permanecer no campo governista.
E sua candidatura ao Senado foi, inclusive, fruto de uma articulação nacional. Segundo a Folha, Lula pediu que Cid disputasse novamente a eleição para reforçar a chapa governista no Ceará e ampliar a bancada aliada no Senado. Cid aceitou.
Agora, a urna devolve a resposta.
Reeleito, Cid mantém uma posição privilegiada para a próxima etapa da política cearense.
O irmão Ciro termina esta eleição de um lado. Elmano, Lula e o campo governista, de outro. E Cid, justamente por transitar há décadas entre diferentes grupos e por conhecer profundamente o funcionamento da política estadual, permanece no centro desse tabuleiro.
Não é apenas uma questão de mandato.
É uma questão de interlocução.
Cid conhece prefeitos, deputados, lideranças municipais, empresários e dirigentes partidários. Conhece Brasília e conhece o interior. Conhece o governo e conhece a oposição. E carrega uma experiência política acumulada que poucos personagens do Ceará conseguem igualar.
A eleição de 2026, portanto, produz uma imagem particularmente interessante:
Ciro voltou ao Ceará para disputar o governo. Elmano disputou a permanência. Cid disputou o Senado — e, ao vencer, preservou seu lugar como uma das peças centrais da política cearense.
A diferença é que agora o mapa mudou.
E Cid terá de operar nesse novo mapa.
Sua reeleição acontece depois de uma campanha em que sua presença foi tratada como estratégica para a composição do campo governista.
Por isso, o novo mandato começa com uma pergunta maior do que a própria cadeira no Senado:
qual será o próximo movimento de Cid Gomes?
Em 2026, ele não foi apenas candidato.
Foi articulador.
E, terminada a eleição, continua sentado à mesa onde serão discutidos os próximos capítulos do poder no Ceará.






