O latifúndio submerso. Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

É cedo ainda, mas há alguns dados relevantes que as pesquisas de opinião recentes sinalizam de modo constante. Entre eles, a percepção de que há um largo espaço ao centro, desejado por uma parcela da população que rejeita o quadro de polarização que já se desenha numa disputa entre Bolsonaro e Lula.

A constatação tem animado movimentos diversos de encontros e discussões entre lideranças políticas impossibilitadas – por crenças ou contingências – de buscar ancoragem nos polos de esquerda e direita. Frequentam essa praça da “terceira via” figuras como Tasso Jereissati, Henrique Mandetta, Sérgio Moro, entre outros (Luciano Huck já saiu e Ciro Gomes não consegue entrar).

A dificuldade de amalgamar tamanhos egos e conciliar tantos interesses é tão grande quanto a oportunidade que vislumbram. Falta ao centro a organicidade que os extremos demonstram e a maior parcela desse atordoado coletivo atua no ramo promissor do fisiologismo – estarão, portanto, vulneráveis à cooptação dos favoritos.

Formam, como o título deste artigo sugere, um latifúndio submerso – uma oportunidade cercada de impossibilidades.
Falta um nome com popularidade mínima para que a terceira via se constitua com a força que a expressão sugere. Se houver desprendimento e competência dos atores políticos e a adesão articulada de setores de expressão da elite econômica haverá alguma possibilidade de se construir um nome no processo – a novidade sedutora.

Um declínio continuado da popularidade do presidente Bolsonaro daria vigor às articulações do centro, agora pouco convencidas ainda de que poderão abrir caminho no quadro de polarização, mas seria uma aposta precipitada no momento. Ainda há de passar muita água por cima dessa ponte até que a terceira via seja uma carta posta à mesa.

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