Por que falar sobre Educação?

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Mayra Pinheiro é médica, liderança do RenovaBR e da Fundação RAPS/LEMANN, fundadora do Renasce e filiada ao PSDB.

Por Mayra Pinheiro
Post convidado
Imagino que ao começar a ler este artigo o leitor possa estar se perguntando: por que uma médica escreve sobre educação?
Não conheço nenhum país que tenha alcançado elevado índice de desenvolvimento humano e reduzido desigualdades, sem priorizar educação com qualidade.
E quando se fala em saúde, o baixo nível de escolaridade está associado à extensa lista de morbidade.
Há poucos dias foi divulgado que a taxa de analfabetismo no Ceará, entre pessoas com 15 anos ou mais, apresentou queda de um ponto percentual entre os anos de 2016 e 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). A despeito da melhora, o Estado ainda apresentava, em 2017, mais de 1 milhão de analfabetos com 15 anos ou mais.
Considerando o Brasil, figuramos entre os cinco estados com maior quantidade de analfabetos.
No ensino fundamental, apresentamos um diferencial segundo o levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb): temos as 24 melhores escolas públicas do ensino fundamental do país. Sobre esse resultado, vários questionamentos devem ser feitos.
O primeiro é que o índice tem sido utilizado, em regra, como o único parâmetro pelos municípios e escolas para avaliar a qualidade da educação. O segundo é que o índice não é capaz de medir os outros aspectos fundamentais da educação. O terceiro é que, por ser considerado o índice de qualidade da educação pública, transformou-se em informação para uso político/eleitoral em várias cidades onde os educadores denunciam a existência de manipulações como o ensino exclusivo da Matemática e do Português em detrimento das outras disciplinas.
O mesmo desempenho apresentado no ensino fundamental, mesmo diante dos questionamentos, não foi alcançado no ensino médio, no qual o Ceara alcançou nota abaixo da meta estipulada no Ideb obtendo 11ª posição no país. Outro dado alarmante é nossa elevada taxa de evasão escolar.
As reflexões que a sociedade e as lideranças públicas precisam fazer são: crianças precisam receber educação de qualidade decorrente de políticas públicas com “P” maiúsculo; a persistência de adultos analfabetos e semianalfabetos dificultará a educação de crianças e adolescentes; jovens não concludentes no ensino médio elevarão as taxas de desemprego já tão alarmantes e, sem escola e sem trabalho, estarão facilmente à disposição de outra escola, a do crime.
Então, nas escolhas de 2018, o compromisso com a Educação deve estar na pauta de prioridades de eleitores e candidatos. Educação não é a única ferramenta para o crescimento, mas é a melhor.

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