Laranjas que não eram laranja. Por Arlene Holanda

COMPARTILHE A NOTÍCIA

As coisas nem sempre são o que parecem? Ou são exatamente aquilo que parecem ser e não queremos ver? Acreditar na primeira hipótese deixa uma possibilidade para a dúvida. Pode não ser tão ruim como parece…

Eu descobri que laranjas podiam não ser laranja desde cedo. Desde quando me entendi por gente, como minha mãe costumava dizer. (essa frase resume de forma tão singela e bonita o sentido sobre tomar consciência do mundo que nos cerca).

No nosso quintal (nosso é uma maneira de dizer, pois morávamos de favor numa casa de minha avó) havia uma grande laranjeira cujas laranjas mesmo quando maduras eram verdes. Eram chamadas de laranja-russas, e, segundo minha mãe, eram produzidas mesmo em Limoeiro, mas como eram exportadas na vizinha cidade de Russas, receberam injustamente esse crédito. Ao redor dessa laranjeira ficava um barreiro disposto em círculo, alimentado pelas águas de um cata-vento movido pelo generoso “vento geral’, que soprava no meio da tarde trazendo lembranças do mar para o sertão.

Cresci, mudei de minha cidade do interior para a capital, e um belo dia conheci laranjas que eram mesmo da cor laranja. Nesse caso as coisas eram exatamente como pareciam ser. Pegando nessas laranjas tão bem-dispostas num tabuleiro de supermercado me veio uma revelação: laranjas são mesmo laranja e as laranjas de cor verde na verdade são laranjas-da-terra, laranjas-russas, laranja-lima ou qualquer outra palavra escolhida para nomear as laranjas que não são da cor laranja.

E se as “minhas” laranjas definitivamente não são laranja, as coisas mudam de figura. Os nãos recebidos talvez fossem mesmo nãos. Não eram um talvez velado, timidez, não era falta de coragem de dizer sim.

Eram mesmo não. É preciso aprender que laranjas são da cor laranja. E as coisas, na grande maioria das vezes, são exatamente o que parecem. Mas talvez eu teime eternamente que minhas laranjas verdes também são laranjas.

E que as coisas, muitas vezes, não são exatamente o que parecem.

Arlene Holanda é escritora e artista plástica.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Paraná Pesquisas: ACM Neto e Jerônimo estão em empate técnico na Bahia

Atlas/A Tarde: Jerônimo abre 4 pontos sobre ACM Neto na Bahia

Atalasintel Piauí: candidato do PT coloca 37,8 pontos à frente do segundo colocado

A Justiça Eleitoral cearense e a confiança da sociedade; Por Rogério Feitosa Mota

Quaest de véspera: Tarcísio chega à véspera com 60% dos votos válidosg em SP

OP/Datafolha: Cid e Luizianne lideram em empate técnico pelas duas vagas

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Quaest: Elmano chega a 50% e Ciro a 49% dos votos válidos no Ceará

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado