
1. O retrato da disputa
Jerônimo Rodrigues (PT): 51,0%
ACM Neto (União Brasil): 47,0%
Os demais candidatos somam menos de 1% cada. Brancos/nulos são 0,9% e 0,2% não sabem.
Nos votos válidos:
- Jerônimo: 51,5%
- ACM Neto: 47,4%
- Ariel Capistrano: 0,4%
- Ronaldo Mansur: 0,4%
- Maria Bona: 0,3%
- Aroldo Félix: 0%

O dado central: Jerônimo aparece numericamente à frente por 4,1 pontos nos votos válidos. A diferença é praticamente o dobro da margem de erro divulgada pela pesquisa, embora a margem de erro, isoladamente, não seja um teste de significância estatística da diferença entre dois candidatos.
A pesquisa foi divulgada pela A TARDE como o levantamento final da parceria AtlasIntel/A TARDE antes da votação.
2. A trajetória é o dado mais importante
A série temporal mostra uma mudança gradual do desenho da eleição.
No primeiro turno, o gráfico da pesquisa registra:
3/setembro
- ACM Neto: 49,1%
- Jerônimo: 47,9%
29/setembro
- Jerônimo: 49%
- ACM Neto: 45,9%
3/outubro
- Jerônimo: 51%
- ACM Neto: 47%
Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 261003.pdf
Ou seja, no intervalo retratado pela série:
Jerônimo → +3,1 pontos
ACM Neto → -2,1 pontos
O movimento conjunto produz uma alteração de aproximadamente 5,2 pontos no espaço entre os dois.
Isso é mais relevante do que simplesmente olhar a fotografia final: a série mostra Jerônimo saindo de uma posição numericamente atrás e chegando à liderança.
A A TARDE também registra que, na pesquisa anterior, de 24 a 28 de setembro, Jerônimo tinha 50,7% dos votos válidos contra 47,5% de ACM Neto.

3. Segundo turno: vantagem semelhante
No eventual segundo turno:
Jerônimo: 52,1%
ACM Neto: 47,9%
A diferença é de 4,2 pontos.
A série histórica mostra novamente a inversão:
- 3/set: vantagem numérica de ACM Neto;
- 29/set: Jerônimo passa à frente;
- 3/out: Jerônimo chega a 52,1%, contra 47,9% de Neto.
Portanto, a pesquisa não mostra apenas uma vantagem de Jerônimo no primeiro turno. O mesmo desenho aparece quando os dois são colocados diretamente frente a frente.
4. Onde está a força de cada candidatura?
Os cruzamentos demográficos são particularmente importantes.
Jerônimo
O governador apresenta desempenho mais forte entre:
- eleitores mais velhos;
- segmentos de menor renda;
- eleitorado do interior;
- eleitores de esquerda;
- pessoas que declaram voto em Lula.
O cruzamento de intenção para governador mostra uma associação muito forte entre voto presidencial e estadual.
ACM Neto
Neto apresenta desempenho mais forte em:
- eleitores jovens e adultos em determinados recortes;
- renda mais alta;
- Salvador;
- eleitorado identificado com posições de direita;
- eleitores que declaram preferência por candidatos presidenciais de oposição.
Esses recortes aparecem na tabela demográfica da página 11.
O desenho, portanto, é territorial e político: Salvador e setores mais identificados com a direita sustentam Neto, enquanto Jerônimo se beneficia de uma combinação de interior, lulismo e segmentos populares.
5. O fator Lula aparece claramente nos dados
Há um dado estrutural importante na pesquisa: Lula tem 59,1% na Bahia, contra 29,2% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno presidencial.
Nos votos válidos, Lula chega a 60,5%, enquanto Flávio Bolsonaro fica em 29,8%.
O cruzamento da pesquisa mostra forte associação entre voto presidencial e estadual. Isso ajuda a explicar por que a corrida pelo governo não pode ser analisada isoladamente da eleição nacional.
A própria A TARDE destacou o voto casado entre Lula e Jerônimo como um dos elementos da dinâmica observada no levantamento anterior.
6. A aprovação de Jerônimo mudou o ambiente da eleição
Outro dado particularmente relevante está na avaliação do governador.
Aprovação
Aprova: 51%
Desaprova: 45%
Saldo: +6 pontos.
Avaliação da gestão
- Ótimo/bom: 38%
- Regular: 21%
- Ruim/péssimo: 42%
Saldo entre positivo e negativo: -4 pontos.
Isso produz uma combinação interessante:
A aprovação administrativa é positiva, mas a avaliação qualitativa da gestão continua dividida.
Ou seja, a liderança eleitoral de Jerônimo não aparece acompanhada por uma aprovação esmagadora da gestão.
7. Imagem pessoal: a disputa continua apertada
Na avaliação de imagem:
- Jerônimo: 51% positiva / 45% negativa
- ACM Neto: 51% positiva / 44% negativa
Esse é talvez um dos dados mais interessantes da pesquisa.
Os dois candidatos têm praticamente a mesma imagem positiva.
Portanto, a diferença eleitoral de 4 pontos não parece decorrer simplesmente de uma vantagem de imagem pessoal de Jerônimo.
A pesquisa sugere que estrutura eleitoral, transferência de votos presidenciais, território e composição do eleitorado têm papel relevante no resultado
LEITURA FOCUS PODER
Atlas/A TARDE: Jerônimo chega à reta final numericamente à frente de ACM Neto
O governador aparece com 51,5% dos votos válidos, contra 47,4% de ACM Neto. A série temporal mostra uma inversão em relação ao início de setembro: Jerônimo saiu de 47,9% para 51%, enquanto Neto recuou de 49,1% para 47%.
Por que importa: a pesquisa combina três movimentos: crescimento de Jerônimo, redução da vantagem de Neto e consolidação da polarização. No segundo turno simulado, a diferença permanece praticamente igual: 52,1% a 47,9%.
Vá mais fundo: o dado eleitoral ganha contexto quando cruzado com a avaliação do governo. Jerônimo chega a 51% de aprovação, mas sua gestão ainda divide o eleitorado entre 38% de ótimo/bom e 42% de ruim/péssimo. A imagem pessoal dos dois candidatos, por outro lado, é praticamente idêntica: 51% positiva para ambos.
Pesquisa Atlas_ATarde – Eleições Bahia 2026 – 261003.pdf
O ponto-chave
A eleição chega ao último levantamento do Atlas com uma disputa polarizada, uma vantagem numérica de Jerônimo e um eleitorado dividido por território, renda, posicionamento político e, sobretudo, pelo alinhamento com a eleição presidencial.
A pesquisa não permite, isoladamente, afirmar o resultado das urnas; ela registra o estado da intenção de voto no período de 27 de setembro a 2 de outubro.







