Family Office e o Protagonismo da Família na Gestão Patrimonial. Por Camilla Figueiredo

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Camilla Figueiredo – Family Office Advisor na Astor Capital. Foto: Divulgação

A riqueza patrimonial de uma família traz consigo o grande desafio de ser bem gerida. Independentemente de sua origem e dos objetivos específicos da família, expandir ou manter seu patrimônio com o passar dos anos, constitui, normalmente, seu maior interesse, uma vez que possibilita planos longevos em prol da vida desejada.

Todavia, nada disso seria possível, primeiro, sem organização e adequado preparo – preparo esse, não somente, sob o viés técnico, mas, essencialmente, humano.

Para além da gestão patrimonial que promove, o Family Office, “escritório da família”, vem a ser essa estrutura complexa e multidisciplinar, que acompanhará – também, executando uma parte – as etapas desse plano multifacetado de gestão e estruturação organizacional.

Encarregando-se das interfaces necessárias para viabilizar esse planejamento, o Family Office tem o propósito de melhorar a vida da família, guardando coerência com seus valores e objetivos próprios. A família que se organiza também se fortalece e, através de um apropriada capacitação, passa a assumir papel de um dos principais atores na efetiva gestão da sua riqueza.

A estrutura multidisciplinar Family Office pode ser composta por vários setores, dentre os quais: investimentos, jurídico/tributário, financeiro e contábil, compliance, governança, comercial e atendimento ao cliente. Nesse contexto, os serviços vão desde soluções para investimentos, análise e gestão de patrimônio, apoio operacional junto a outras instituições à educação financeira dos membros da família, participação na implementação de governança e na adoção de medidas de transição/sucessão, por exemplo.

A estruturação e implementação de governança e sucessão, por sua vez, é um marco indissociável do amadurecimento e evolução da família, no que toca a gestão do seu patrimônio. E isso só é possível através do diálogo e alinhamento entre as gerações, em que, muitas vezes, o Family Office atua como um verdadeiro mediador.

Nesse sentido, a forma de interação entre gerações é componente salutar, uma vez que a gestão dessa riqueza envolverá, via de regra, a preservação advinda de gerações passadas e a perpetuação para gerações futuras. No caso de famílias tradicionais, as gerações passadas dão início ao projeto e estruturação do patrimônio da família e as gerações futuras deverão se encarregar de ao mesmo legar perpetuidade ou, mesmo, crescimento, que venha a atender as destinações desejadas. Trata-se, aqui, do processo de a própria família tornar-se uma família investidora.

O Family Office – igualmente recomendado para quem detém muito patrimônio ilíquido – vem, portanto, vem a se caracterizar como uma estrutura sempre pulsante e sua existência estará vinculada à da própria família munida de patrimônio relevante, bem como à evolução de sua organização, guardando a devida adequação aos objetivos já alinhados. Sem esta premissa, o processo não será eficiente.

Nesse sentido, a família protagonizará os rumos do seu futuro e o Family Office estará, não à frente, mas sempre ao lado da família, em todas as etapas para viabilizar que, da melhor forma, o propósito da família seja alcançado

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